sexta-feira, 13 mar. 2026

Cheias, desalojamentos e cortes nos transportes: como está o país após três tempestades?

As autoridades apelam à população para que siga as recomendações da Proteção Civil, evite deslocações desnecessárias e adote medidas preventivas, enquanto se mantém a vigilância sobre a evolução das condições meteorológicas.

Portugal continua a enfrentar os efeitos do comboio de tempestades que se tem feito sentir desde o final de janeiro. Cheias, deslizamentos de terras, cortes nas ligações ferroviárias, e vários danos em infraestruturas prevalecem em várias regiões do país.

Na madrugada deste sábado, pelo menos 75 pessoas foram retiradas das suas casas no concelho de Alenquer devido ao perigo iminente de deslizamentos de terras. Já na sexta-feira à noite, cerca de 40 moradores da localidade da Mata tiveram de abandonar as suas casas, tendo sidorealojados em casas de familiares, um num lar e os restantes em alojamentos encontrados pelo município.

A Proteção Civil acompanha ainda a situação em Ribafria, onde o acesso está fortemente condicionado, uma vez que, “das cinco estradas de acesso, só uma está disponível”. Em Olhalvo, um muro está em risco de queda e ameaça habitações. A autarquia admite vir a solicitar ao Governo a declaração de situação de calamidade.

Em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, os prejuízos continuam a ser avaliados. A autarquia estima que cerca de 80% das habitações tenham sofrido danos causados pelo mau tempo.

Embora se registe uma melhoria gradual, muitos moradores continuam a depender de soluções temporárias, como lonas e reparações provisórias. A falta de eletricidade em várias zonas, agravada por furtos de material da rede, continua a ser uma das principais preocupações, segundo o presidente do concelho, João Marques.

“Temos zonas no concelho que já tiveram energia e que deixaram de ter por causa destes roubos”, afirmou, assegurando que as autoridades estão atentas, mas é necessária “vigilância em relação às infraestruturas elétricas”, citado pela Agência Lusa.

O município tem contado com o apoio de voluntários nacionais e estrangeiros, num movimento de solidariedade considerado “excecional” pelo presidente da câmara.

Já em Coimbra, o rio Mondego atingiu na madrugada deste sábado níveis considerados de risco, ultrapassando os 3,6 metros na ponte de Santa Clara, na zona baixa da cidade. De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, esta foi a única bacia hidrográfica em situação de alerta máximo no país, enquanto rios como o Tejo, Douro, Sado e Lima permaneciam em nível de vigilância.

Transportes afetados em várias regiões

O mau tempo provocou também perturbações significativas nos transportes. A Infraestruturas de Portugal confirmou a suspensão da circulação ferroviária em vários troços das linhas do Norte, Douro, Oeste, Beira Baixa e Cascais, obrigando à intervenção de equipas técnicas no terreno.

Em Lisboa, o Metropolitano retomou a operação em toda a rede, mas manteve encerrados alguns acessos de forma preventiva, sobretudo nas zonas mais próximas do rio Tejo, para evitar inundações.

Militares mobilizados para ajudar populações

Mais de 1.600 militares do Exército estão envolvidos em operações de apoio às populações em 41 municípios, utilizando viaturas, máquinas de engenharia e geradores. Até ao momento, foram aplicadas quase duas centenas de lonas em habitações danificadas.

No plano económico, a Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos alertou para a necessidade urgente de medidas de apoio às empresas afetadas, sublinhando o risco de encerramentos, perda de emprego e enfraquecimento do tecido produtivo.

O IPMA mantém avisos laranja em 13 distritos devido à chuva persistente, vento forte, agitação marítima e queda de neve nas zonas mais elevadas. Em algumas regiões, as rajadas podem ultrapassar os 100 quilómetros por hora, enquanto nas áreas de montanha prevê-se acumulação significativa de neve.

Às 10h30 deste sábado, a Proteção Civil registava cerca de 267 ocorrências, sobretudo na zona centro, principalmente relacionadas com cheias e inundações.

As autoridades apelam à população para que siga as recomendações da Proteção Civil, evite deslocações desnecessárias e adote medidas preventivas, enquanto se mantém a vigilância sobre a evolução das condições meteorológicas.