quarta-feira, 15 abr. 2026

Mau tempo no litoral obriga a investimento de 111 milhões de euros para recuperar praias e infraestruturas

Objetivo é reparar os danos causados pelas tempestades no litoral, incluindo erosão, reparação de infraestruturas e proteção costeira, visando garantir segurança e acessibilidade às praias

Os estragos provocados pelo mau tempo no litoral de Portugal entre outubro e fevereiro vão obrigar a um investimento de cerca de 111 milhões de euros para recuperar praias, infraestruturas e estruturas de proteção costeira.

Um relatório apresentado esta quarta-feira pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) na sua sede, no Porto, prevê que 15 milhões de euros sejam aplicados antes do início da época balnear, em maio, para garantir condições mínimas de segurança e acesso às praias.

Plano de investimento até 2028

De acordo com o documento, o plano de recuperação está dividido em várias fases:

  • 15 milhões de euros até ao início da época balnear, em maio;

  • 12 milhões de euros adicionais até ao final de 2025;

  • 31 milhões de euros até ao final de 2027;

  • 53 milhões de euros a partir de 2028.

De acordo com a agência Lusa, o objetivo é responder aos “impactos significativos na faixa costeira de Portugal continental” provocados pelas tempestades que atingiram o país no início do ano.

Tempestades causaram erosão e danos em infraestruturas

Entre janeiro e fevereiro registaram-se vários episódios de mau tempo associados às tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram erosão costeira, recuo da linha de costa e alterações na morfologia das praias.

Segundo o relatório, quase todas as praias do continente sofreram uma redução significativa de areia na zona emersa.

No total, foram identificados 571 danos confirmados em 749 ocorrências reportadas ao longo da costa. A região mais atingida foi o Centro, com 257 ocorrências registadas.

Entre os tipos de danos identificados destacam-se:

  • erosão costeira – 36,7% dos casos;

  • instabilidade em arribas – 30,6%;

  • danos em acessos às praias – 43,3%;

  • estragos em estruturas de proteção, como paredões, muros e enrocamentos – 21,7%.

O concelho de Ovar, no distrito de Aveiro, concentrou 204 dos danos identificados, sendo uma das zonas mais afetadas pelo impacto das tempestades.

Recuperação das praias poderá ser lenta

O relatório alerta ainda que a recuperação das praias será “lenta e gradual”, podendo sofrer atrasos caso ocorram novos episódios de mau tempo durante a primavera.

As intervenções previstas incluem reposição de areias, reparação de acessos e reforço de estruturas de defesa costeira, medidas consideradas essenciais para garantir condições de segurança antes do início da época balnear.