quinta-feira, 16 abr. 2026

Matou a mulher num ato psicótico com arma vendida por cabo da GNR. Homem de 51 anos acusado de homicídio no Porto

O cabo da GNR que vendeu a arma ao arguido continua no ativo, ao serviço no posto da GNR de Porto de Mós.
Matou a mulher num ato psicótico com arma vendida por cabo da GNR. Homem de 51 anos acusado de homicídio no Porto

O caso remonta a 4 de setembro do ano passado. Pedro Martins, de 51 anos, tinha acabado de ser internado na Casa de Saúde de Santa Catarina, no Porto, devido a um quadro psicótico de delírio.

O que não se sabia, é que dentro da mala levava um revólver, que lhe havia sido vendido por um cabo da GNR no ativo por três mil euros, e que seria a arma do crime do homicídio da mulher, Elisabete, de 51 anos.

O homem internado aproveitou que a mulher estava no quarto e disparou quatro tiros contra ela enquanto dormia. De seguida tentou suicidar-se, mas sobreviveu, estando agora internado no Hospital Prisão de Santa Cruz do Bispo.

A acusação considera agora que Pedro Martins agiu num "quadro psicótico grave". "O arguido Pedro Martins apresenta alterações psicopatológicas major, compatíveis com uma patologia mental grave", refere, acrescentando que "a anomalia psíquica de que sofre impede-o de discernir o ilícito do lícito".

No entanto, o procurador sublinha que o risco de repetição de atos semelhantes é elevado, considerando que, face à inimputabilidade do arguido, o Tribunal deve optar por uma medida de segurança.

O empresário de Felgueiras foi agora acusado de homicídio e posse de arma ilegal. Também o guarda que lhe vendeu o revólver, Jorge Ribeiro, de 42 anos, está envolvido no caso, acusado de tráfico de armas agravado por pertencer às forças de autoridade, de acordo com o Correio da Manhã.

A venda da arma

O cabo da GNR e Pedro conheceram-se no início de 2025, num estúdio de massagens terapêuticas do militar. Foi nesse contexto que Pedro lhe pediu uma arma de fogo, pedido ao qual Jorge Ribeiro acedeu. Soube-se na altura que o militar era namorado de uma das filhas de Pedro e Elisabete, 21 anos mais nova. Esta relação serviu como prova de que o cabo da GNR conhecia os problemas psiquiátricos do empresário e, ainda assim, vendeu-lhe o revólver.

O Ministério Público do Porto explica na acusação que o militar "sabia que tal arma era apta a ser usada e era idónea a causar graves lesões físicas, a criar risco, ou a atentar contra a vida de alguém".

Apesar de ter encerrado o centro de massagens na altura em que se soube do caso, Jorge Ribeiro continua ao serviço no posto da GNR de Porto de Mós.