quarta-feira, 13 mai. 2026

Mais de uma dezena de polícias detidos em Lisboa por suspeitas de tortura e violações filmadas em esquadras

Nova operação ligada ao caso das esquadras do Rato e do Bairro Alto levou à detenção de mais 15 agentes da PSP. Investigação aponta para agressões violentas sobre pessoas vulneráveis e vídeos partilhados em grupos privados.
Mais de uma dezena de polícias detidos em Lisboa por suspeitas de tortura e violações filmadas em esquadras

Pelo menos quinze agentes da PSP foram detidos esta terça-feira no âmbito da investigação que apura alegados crimes de tortura, ofensas graves à integridade física e violação cometidos no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa, avança a TVI/CNN Portugal.

A operação decorre sob direção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, em articulação com a PSP, e representa um novo desenvolvimento num caso que já levou outros nove polícias à prisão preventiva.

Vítimas eram pessoas particularmente vulneráveis

De acordo com os elementos apurados pela investigação, as vítimas visadas seriam pessoas em situação de especial fragilidade social.

Entre os alvos das alegadas agressões contam-se:

  • pessoas em situação de sem-abrigo

  • toxicodependentes

  • cidadãos estrangeiros

As suspeitas apontam para atos violentos praticados dentro de instalações policiais, em circunstâncias que estão agora a ser aprofundadas pelas autoridades judiciais.

Vídeos terão sido gravados e partilhados

Um dos elementos considerados centrais na investigação são imagens captadas por telemóvel.

Segundo os indícios recolhidos, alguns dos alegados agressores terão filmado os abusos e posteriormente partilhado os vídeos em grupos privados de mensagens.

As autoridades estão a analisar conteúdos difundidos em plataformas como:

  • WhatsApp

  • Telegram

Foi, aliás, através desses registos e do reconhecimento feito por vítimas que vários dos agora detidos terão sido identificados.

Buscas em várias esquadras

Além das detenções, decorrem buscas em várias esquadras da capital onde os suspeitos se encontram atualmente colocados.

Entre os locais visados está a sede da 1.ª Divisão da PSP de Lisboa.

Investigação já tinha levado agentes para a prisão

O processo conheceu os primeiros desenvolvimentos em julho do ano passado, quando dois agentes foram detidos. Ambos já foram acusados e pronunciados para julgamento.

Mais tarde, em março deste ano, o Ministério Público avançou para uma nova fase da investigação, com sete novas detenções por factos semelhantes. Esses agentes encontram-se igualmente em prisão preventiva.

Com esta terceira operação, sobe de forma significativa o número de polícias visados pelo processo.

A maioria dos detidos nesta nova fase arrisca também a aplicação da medida de coação mais gravosa: prisão preventiva.

Há mais agentes sob escrutínio

A investigação não se limita aos alegados autores diretos.

As autoridades procuram agora perceber se outros agentes, que terão tido conhecimento dos factos através das mensagens e vídeos partilhados, falharam o dever de denúncia.

Em causa está a eventual responsabilidade disciplinar e criminal de quem, sabendo do que acontecia, não comunicou os factos à hierarquia da PSP nem ao Ministério Público.