segunda-feira, 08 jun. 2026

Mais de 500 candidatos à GNR chumbaram nos testes psicológicos. Guarda expulsou 51 militares em quatro anos

Violência doméstica e burlas estão entre os casos que levaram à expulsão de militares.
Mais de 500 candidatos à GNR chumbaram nos testes psicológicos. Guarda expulsou 51 militares em quatro anos

Cerca de um terço dos candidatos à GNR reprova nas avaliações psicológicas exigidas para entrar na força de segurança. Os dados foram avançados pelo comandante-geral da GNR, tenente-general Rui Veloso, que revelou ainda que 51 militares foram expulsos nos últimos quatro anos devido a comportamentos considerados incompatíveis com os valores da instituição.

Na primeira entrevista desde que assumiu funções, em setembro de 2023, Rui Veloso explicou à Lusa que só este ano já foram expulsos 13 militares por “comportamentos inadequados”, tanto em serviço como na vida pessoal.

Entre os motivos que levaram aos afastamentos estão crimes como violência doméstica, burlas e outras condutas consideradas incompatíveis com o estatuto militar da Guarda.

“O militar tem que manter uma conduta exemplar dentro e fora do serviço”, afirmou o comandante-geral, recordando que essa exigência está prevista no código deontológico e no regulamento disciplinar da GNR.

Mais de 550 candidatos afastados por motivos psicológicos

Segundo Rui Veloso, a seleção de novos elementos inclui provas técnicas, físicas, médicas e psicológicas, sendo estas últimas uma das principais barreiras de acesso à corporação.

“A média de candidatos que chumba nas avaliações psicológicas ronda os 30% a 35%”, explicou, indicando que, no último curso, entre 550 e 600 candidatos ficaram pelo caminho devido aos resultados obtidos nos testes relacionados com a personalidade.

O responsável sublinhou que os números têm sido semelhantes nos últimos três anos e garantiu que a Guarda não pretende aliviar os critérios de seleção, mesmo enfrentando carência de efetivos.

“A GNR nunca vai facilitar por escassez de efetivos”, assegurou.

Militares recém-formados também podem ser expulsos

O comandante-geral destacou ainda que os militares recém-formados permanecem um ano em regime probatório, período durante o qual são avaliados de forma contínua pelos superiores hierárquicos.

Caso revelem atitudes incompatíveis com os princípios da Guarda, podem ser afastados da corporação. Em 2026, já foi registada uma expulsão nesse contexto.

Apesar das dificuldades no recrutamento, Rui Veloso afirmou que a GNR tem conseguido recuperar efetivos nos últimos anos. Atualmente decorre um curso com 800 candidatos, que deverão reforçar a presença operacional da Guarda ainda este ano, após o período de estágio no verão.

O responsável comentou também o Plano de Prevenção de Manifestação de Discriminação nas Forças de Segurança, em vigor desde 2021 na GNR e na PSP, referindo que a Guarda já tinha orientações internas ligadas aos direitos humanos, mas que o plano trouxe mudanças adicionais ao nível da formação, recrutamento e mecanismos de controlo.