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A mãe e o padrasto das duas crianças francesas encontradas abandonadas na zona de Alcácer do Sal vão ficar em prisão preventiva. A decisão foi conhecida este sábado, após dois dias de interrogatório judicial no Tribunal de Setúbal.
Segundo informação divulgada pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM), os dois arguidos estão indiciados pelos crimes de ofensas à integridade física agravada e exposição e abandono.
A mãe das crianças, Marine Rousseau, de 41 anos, e o companheiro, Marc Ballabriga, de 55 anos, vão aguardar o desenvolvimento do processo em estabelecimento prisional.
A decisão foi comunicada pelo juiz presidente da Comarca de Setúbal, António Fialho, que explicou que os “pressupostos da medida de coação” se encontram verificados “todos em diferente grau”.
O Ministério Público tinha pedido a aplicação da medida de coação mais gravosa, invocando perigo de fuga, perigo de perturbação do inquérito e risco de alarme social. A juíza de instrução criminal acabou por validar essa posição.
O casal chegou ao Tribunal de Setúbal pouco antes das 10h00 deste sábado, depois de o interrogatório judicial ter sido interrompido perto da meia-noite de sexta-feira, após cerca de oito horas de audições.
Segundo informações avançadas pela CNN Portugal, a mãe optou por não prestar declarações, enquanto o padrasto falou perante as autoridades judiciais.
Marine Rousseau e Marc Ballabriga foram detidos na quinta-feira pela GNR numa esplanada nas imediações de Fátima, a cerca de 200 quilómetros do local onde as crianças foram abandonadas.
As duas crianças, de cinco e três anos, tinham sido encontradas abandonadas na terça-feira na zona de Alcácer do Sal. Após receberem assistência hospitalar, foram entregues a uma família de acolhimento.
A chegada e saída do casal do tribunal ficou marcada por momentos de tensão. À saída da sessão de sexta-feira, Marc Ballabriga gritou “Armagedão” e bateu na carrinha policial que o transportava de volta às celas da GNR de Palmela, onde ambos passaram a noite antes de retomarem o interrogatório na manhã deste sábado.
O processo prossegue agora sob investigação judicial, permanecendo por esclarecer se o eventual julgamento decorrerá em Portugal ou em França.