terça-feira, 18 ago. 2026

Ministro Luís Neves escondeu empresa da mulher em três declarações

Ministro da Administração Interna teve de corrigir a declaração de rendimentos para incluir empresa de alojamento local que explora um dos seus montes em Odemira. A informação foi omitida quando era diretor da PJ e assim que chegou ao Governo.

O SOL consultou agora as declarações de rendimentos, património e interesses que Luís Neves apresentou junto da Entidade Para a Transparência e descobriu que, por várias vezes, o atual ministro da Administração Interna escondeu a empresa AL Campos, que a sua mulher criou em 2023.

A história começa em 2024. Em novembro desse ano, Luís Neves é reconduzido pelo Governo como diretor nacional da PJ e junto da Entidade Para a Transparência tem de apresentar uma Declaração Única, como também é conhecida.

Trata-se de uma obrigação para dirigentes políticos e altos cargos públicos em três situações: na tomada de posse, na recondução e no termo de funções, diz a lei 52/2019, de 31 de julho.

Nessa ocasião, Neves não preenche o espaço relativo a «quotas, ações, participações ou outras partes sociais do capital de sociedades civis ou comerciais». Escreve «nada a declarar». Ou seja, informa não ter qualquer participação direta ou indireta em empresas.

Em fevereiro último, quando sobe a ministro, tem de preencher mais duas Declarações Únicas. Uma como diretor nacional cessante. Outra como novo ministro da Administração Interna.

Nestas duas, Luís Neves, que é licenciado em Direito e foi polícia durante 30 anos, repete o preceito de 2024: nada tem a declarar quanto ao envolvimento com empresas. Só que tem. A AL Campos foi constituída pela sua mulher em 16 de junho de 2023 e o regime de casamento que escolheram foi o de comunhão de adquiridos.

Por motivo que não conseguimos apurar, já que Luís Neves não respondeu esta semana às perguntas que enviámos sobre este assunto, tais omissões acabaram por ser corrigidas.

Em 25 de maio último, o ministro entregou uma Declaração Única de substituição, que agora prevalece sobre as anteriores. A nova versão só ficou disponível para consulta pública há poucos dias.

Finalmente Luís Neves declara o que até agora estava escondido: a participação na unipessoal da mulher. E acrescenta dados desconhecidos: uma conta bancária à ordem com 133.628 euros e garantias patrimoniais de 180 mil euros no Montepio e na Caixa Geral de Depósitos.