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O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, ficou fora da lista final dos candidatos que disputam a liderança da Europol, a agência europeia de cooperação policial. A candidatura de Carrilho desencadeou uma série de movimentações para a sua sucessão que poderão ditar mudanças profundas no comando da Polícia de Segurança Pública.
No final de maio, Nascer do SOL noticiou que Luís Carrilho integra a lista restrita de seis candidatos ao cargo de diretor executivo da Europol. A seleção foi entretanto reduzida a três nomes, e de acordo com o jornal POLITICO, o de Carrilho deixou de estar.
Segundo este jornal, o processo de seleção já terá entrado numa fase ainda mais avançada, com três nomes destacados: Jürgen Ebner, atual diretor interino da Europol e vice-diretor-geral da agência; Alicia Malo, responsável pela cooperação internacional da Polícia Nacional de Espanha; e Linas Pernavas, diretor da principal agência anticorrupção da Lituânia.
A liderança da Europol encontra-se vaga desde 1 de maio, após o fim do mandato da belga Catherine De Bolle, que dirigiu a agência desde 2018. Durante a sua gestão, a Europol reforçou significativamente as capacidades tecnológicas e coordenou algumas das maiores operações internacionais de combate ao crime organizado, incluindo o desmantelamento das plataformas de comunicações encriptadas EncroChat e Sky ECC.
Governo terá sido apanhado de surpresa
A candidatura de Luís Carrilho não terá sido previamente comunicada ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, que terá recebido a notícia com surpresa e algum desagrado.
Nos bastidores da PSP, acredita-se que o atual diretor nacional se encontra desgastado pelos sucessivos dossiês que marcaram os últimos dois anos de mandato, entre os quais a polémica em torno da morte de Odair Moniz, a operação policial na Rua do Benformoso, as reivindicações salariais das forças de segurança e a crescente dificuldade em recrutar novos agentes.
Mesmo que não tendo sido escolhido para liderar a Europol, Carrilho pretende prosseguir a carreira internacional, podendo vir a assumir funções como oficial de ligação da PSP numa embaixada portuguesa, à semelhança do que aconteceu com anteriores diretores nacionais.
Corrida à sucessão já começou
A possibilidade de saída de Luís Carrilho já desencadeou movimentações internas na PSP.
Entre os nomes mais apontados para a sucessão destacam-se Luís Elias, atual comandante metropolitano de Lisboa, José Carvalho Figueira, comandante da Polícia Municipal de Lisboa, Pedro Moura, coordenador-geral da Unidade de Coordenação de Estrangeiros e Fronteiras, João Ribeiro, Francisco Teles e Ismael Jorge.
A decisão caberá ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa altura particularmente exigente para a PSP, marcada pela escassez de efetivos, dificuldades no recrutamento e vários dossiês operacionais considerados prioritários.
Europol prepara reforço de competências
A corrida à liderança da Europol acontece numa fase em que a Comissão Europeia pretende reforçar os poderes da agência sediada em Haia, perante o aumento de ameaças como o cibercrime, o terrorismo, o tráfico de seres humanos e as ações híbridas atribuídas a atores ligados à Rússia.
Com mais de 1.400 funcionários e centenas de oficiais de ligação destacados pelos Estados-membros, a Europol presta apoio a milhares de investigações transnacionais todos os anos, funcionando como o principal centro europeu de cooperação policial.
Na continuação deste processo de seleção de diretor executivo da Europol seguem-se entrevistas com representantes da Comissão Europeia antes da decisão final, que caberá aos Estados-membros da União Europeia reunidos no Conselho