domingo, 18 jan. 2026

Lisboa limita venda de álcool na rua após as 23h00 para reduzir ruído

Lisboa implementa novas regras que proíbem a venda de álcool na rua após as 23h00 durante a semana, visando diminuir ruídos, conflitos e melhorar a qualidade de vida dos moradores na cidade.
Lisboa limita venda de álcool na rua após as 23h00 para reduzir ruído

Beber um copo na rua depois das 23h00 vai deixar de ser possível em Lisboa. A Câmara Municipal prepara um novo regulamento que limita a venda de álcool para consumo no exterior dos estabelecimentos, numa tentativa de devolver o descanso aos moradores e pôr travão ao ruído noturno que se arrasta noite dentro em vários bairros da capital.

A proposta da autarquia prevê que, de domingo a quinta-feira, os estabelecimentos deixem de poder vender bebidas alcoólicas para consumo na via pública a partir das 23h00. Às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado, o horário será mais alargado, mas também com restrições, refletindo uma abordagem diferenciada para os períodos de maior animação noturna.

A medida surge após anos de queixas de moradores, sobretudo em zonas como o Bairro Alto, Cais do Sodré, Alfama e Mouraria, onde o consumo de álcool na rua se tornou uma prática comum, frequentemente associada a barulho excessivo, lixo e conflitos.

Segundo a Câmara de Lisboa, o objetivo é claro: equilibrar o direito ao lazer com o direito ao descanso, sem avançar para encerramentos generalizados de bares e restaurantes. A venda para consumo no interior dos espaços continuará permitida, bem como o serviço em esplanadas dentro dos horários legais.

O regulamento prevê ainda reforço da fiscalização, com a Polícia Municipal e outras entidades a poderem aplicar coimas aos estabelecimentos que violem as novas regras. A autarquia admite que a eficácia da medida dependerá da capacidade de controlo no terreno, sobretudo nas noites de maior movimento.

A discussão sobre o consumo de álcool na via pública não é nova, mas ganha agora contornos mais firmes, numa altura em que Lisboa tenta afirmar-se como cidade turística sem perder qualidade de vida para quem cá vive.

A proposta deverá ainda passar por discussão pública antes de entrar em vigor, mas o sinal político está dado: as noites de copos na rua em Lisboa têm os dias contados.