Linha Internet Segura registou aumento de quase 40% de casos de cibercrime

LIS identifica também um crescimento significativo das situações de violência sexual baseada em imagens, incluindo extorsão sexual, partilha não consentida de imagens íntimas e crimes contra crianças
Linha Internet Segura registou aumento de quase 40% de casos de cibercrime

A Linha Internet Segura (LIS) recebeu 949 novos casos de cibercrime e violência online em 2025, um aumento homólogo de 39% face a 2024, quando tinham sido apoiadas 681 vítimas. As burlas e a extorsão continuam a ser os crimes mais reportados

“Além de todas as pessoas que já apoiávamos em anos anteriores, durante 2025 recebemos estes 949 novos processos”, explicou Carolina Soares, gestora da LIS, no âmbito do Dia da Internet Mais Segura, sublinhando a tendência de crescimento sustentado da criminalidade digital.

Burlas lideram queixas, seguidas de extorsão

As burlas mantêm-se como o crime mais frequente, com 358 casos em 2025, um aumento de 44% face aos 247 registados no ano anterior. Segue-se a extorsão, com 167 situações, quase o dobro das registadas em 2024 (+90%).

Entre os métodos mais reportados destacam-se:

  • Burla em comércio online (84 casos),

  • Burla de investimento e criptomoedas (60),

  • Burla romântica (49).

De acordo com a agência Lusa, a LIS identifica também um crescimento significativo das situações de violência sexual baseada em imagens, incluindo extorsão sexual, partilha não consentida de imagens íntimas e crimes contra crianças.

Mulheres são maioria das vítimas

Do total de casos, 53,1% das vítimas são mulheres ou raparigas (504 situações). Segundo Carolina Soares, os padrões de vitimação diferem por género:

  • Homens e rapazes surgem com maior frequência como vítimas de burlas, sobretudo de investimento, e de extorsão sexual.

  • Mulheres e raparigas são mais afetadas por burlas românticas, phishing, smishing e pela partilha não consentida de imagens íntimas, incluindo conteúdos manipulados com inteligência artificial (deepfakes).

Aumento expressivo de crimes contra crianças e jovens

Em 2025, a LIS apoiou 119 crianças e jovens vítimas de cibercrime e outras formas de violência online, face a 74 em 2024.

Destes casos:

  • 75 correspondem a crimes sexuais contra menores online, como pornografia de menores, aliciamento para fins sexuais, importunação e extorsão sexual.

  • Este número representa um aumento de 92% face ao ano anterior.

Verificou-se também um crescimento das situações de:

  • extorsão sexual (159 casos),

  • partilha ou gravação não consentida de imagens íntimas (77),

  • ciberbullying e violência entre pares.

A faixa etária 18-64 anos concentrou a maioria dos contactos (82,1%), mas houve igualmente 51 casos entre pessoas com mais de 65 anos.

Redes sociais são o principal ponto de contacto inicial

A maioria dos crimes tem início em redes sociais (362 casos), como Facebook, Instagram, Snapchat ou X (Twitter), evoluindo frequentemente para plataformas de comunicação encriptada, como o WhatsApp.

Denúncias de conteúdos ilegais online aumentaram 70%

A Hotline da Linha Internet Segura recebeu 1.747 denúncias de conteúdos ilegais em 2025, um aumento homólogo de 70%.

  • 61,6% das denúncias dizem respeito a conteúdos de abuso sexual de menores (1.076 casos), um aumento de 41% face a 2024.

  • As denúncias de discurso de ódio registaram um crescimento ainda mais acentuado: +112%, totalizando 569 casos.

No total, foram analisadas 1.780 imagens e vídeos, dos quais 49% envolviam vítimas do sexo feminino.

Articulação com PJ e Interpol

Quando uma denúncia é validada:

  • Se o conteúdo estiver alojado em Portugal, a APAV comunica à Polícia Judiciária, com quem tem protocolo.

  • O material é inserido numa plataforma da Interpol, permitindo a identificação de vítimas e agressores.

  • É acionado o mecanismo de Notice and Take Down, exigindo a remoção do conteúdo num prazo máximo de 72 horas.

No caso do discurso de ódio, o conteúdo é analisado à luz do artigo 240.º do Código Penal, podendo igualmente ser denunciado à PJ e removido.

A Linha Internet Segura integra o Centro Internet Segura, coordenado pelo Centro Nacional de Cibersegurança, e resulta de um consórcio que envolve a DGE, IPDJ, FCT, APAV e Microsoft Portugal.