quinta-feira, 16 abr. 2026

Libertado após sequestro e tortura na República Centro-Africana. Luso-belga regressa hoje a Portugal

Trabalhava ao serviço de ONG e esteve detido quase dois anos após ser raptado por mercenários do grupo Wagner. Caso mobilizou diplomacia portuguesa, belga e europeia.
Libertado após sequestro e tortura na República Centro-Africana. Luso-belga regressa hoje a Portugal

O luso-belga Joseph Figueira Martin, que esteve detido durante quase dois anos na República Centro-Africana, foi libertado e está a caminho de Lisboa, num voo da Força Aérea Portuguesa.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que destacou o desfecho de um processo diplomático longo e complexo, envolvendo Portugal, Bélgica e a União Europeia.

A libertação põe fim a um dos casos mais sensíveis envolvendo um cidadão português no estrangeiro. Tal como o SOL noticiou, Joseph Figueira Martin, de 42 anos, foi sequestrado a 26 de maio de 2024 na cidade de Zémio, por mercenários do Grupo Wagner, enquanto se encontrava em missão humanitária ao serviço da ONG FHI 360.

Segundo relatos da família, foi raptado à vista de testemunhas e sujeito a tortura nas primeiras horas após o sequestro, tendo sido posteriormente transferido para Bangui, onde acabou entregue às autoridades locais. Viria a ser acusado de espionagem e tentativa de desestabilização do Estado — acusações sempre negadas pelos familiares.

Durante meses, permaneceu detido na prisão militar de Camp de Roux, em condições descritas como extremamente precárias, sem acesso regular à família e com contacto limitado ao exterior. O estado de saúde deteriorou-se, tendo perdido peso significativo e enfrentado períodos de grande fragilidade física e emocional.

O caso foi acompanhado com crescente preocupação internacional. A família denunciou a falta de garantias processuais, ausência de julgamento e o risco de uma pena de prisão perpétua com trabalhos forçados. No Parlamento Europeu, Francisco Assis pediu intervenção urgente, classificando a situação como um grave atentado aos direitos humanos.

Sem representação diplomática direta no país, Portugal e Bélgica recorreram a canais indiretos e ao apoio europeu para pressionar as autoridades centro-africanas. O processo foi marcado por negociações discretas e sucessivos apelos à libertação.

Quase dois anos depois, o desfecho chega com o regresso iminente a Portugal, encerrando um período descrito pela família como um “pesadelo” prolongado.