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Os prejuízos provocados pelo mau tempo no concelho de Leiria podem atingir cerca de mil milhões de euros, anunciou esta quinta-feira o presidente da autarquia, Gonçalo Lopes.
De acordo com o levantamento apresentado numa sessão realizada no Castelo de Leiria, os danos em infraestruturas públicas e coletivas ascendem a 243 milhões de euros, valor que não inclui prejuízos em habitações, empresas ou floresta.
“O impacto é de 243 milhões de euros e vem confirmar que Leiria ficou no epicentro desta tragédia”, afirmou o autarca, citado pela agência Lusa. Gonçalo Lopes sublinhou que o impacto real no território é significativamente superior.
Rede viária e edifícios municipais concentram maiores prejuízos
Entre os danos já identificados pela Câmara Municipal de Leiria, a rede viária municipal representa uma das parcelas mais significativas, com prejuízos estimados em 85,6 milhões de euros.
Seguem-se edifícios e construções municipais, com cerca de 75,2 milhões de euros em danos.
Outros impactos relevantes incluem:
7,9 milhões de euros em taludes e muros de contenção
8 milhões de euros em equipamentos municipais complementares e de lazer
5,4 milhões de euros em infraestruturas de saneamento básico
4 milhões de euros em despesas correntes durante o período de calamidade
Castelo de Leiria entre as infraestruturas mais afetadas
O autarca destacou o Castelo de Leiria como uma das estruturas mais atingidas, com prejuízos avaliados em cerca de 10,2 milhões de euros.
Também o Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa sofreu danos estimados em 4,5 milhões de euros.
Escolas sofreram forte impacto
A rede escolar do concelho foi igualmente muito afetada. Entre os estabelecimentos com maiores prejuízos estão:
EB 2,3 dos Marrazes – cerca de 8 milhões de euros
Escola Henrique Sommer, na Maceira – cerca de 7 milhões
Escola das Colmeias – cerca de 5,2 milhões
Escola da Caranguejeira – cerca de 5 milhões
Escola de Santa Catarina da Serra – cerca de 3 milhões
Segundo Gonçalo Lopes, a recuperação do parque escolar será uma prioridade.
“Algumas destas escolas já eram prioritárias e agora passaram a ser muito, muito prioritárias”, afirmou, defendendo que as intervenções devem criar infraestruturas capazes de resistir a fenómenos meteorológicos extremos.
Limpeza e reparações de emergência já custaram mais de 13 milhões
Durante o período de calamidade, a autarquia já investiu 13,3 milhões de euros em intervenções urgentes, dos quais 9,2 milhões foram destinados a:
limpeza e desobstrução de vias
reparações em telhados
intervenções de emergência em escolas e centros de saúde
As despesas correntes, que incluem recolha de resíduos, aluguer de geradores e combustíveis, somam 4,1 milhões de euros.
Reconstrução poderá durar anos
Apesar das intervenções prioritárias previstas para estradas e escolas, o autarca reconheceu que alguns projetos de recuperação vão prolongar-se durante vários anos, como a replantação de árvores na cidade.
Entre os objetivos está recuperar o Jardim Luís de Camões, que a autarquia espera apresentar com novas árvores até ao Dia de Portugal, assinalado a 10 de junho.
“Estamos a entrar na etapa da reconstrução e da transformação. O que aconteceu em Leiria deve servir de exemplo para construir um território resiliente, capaz de aguentar tempestades e outras catástrofes”, concluiu o presidente da câmara.