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O mês de junho foi um dos mais quentes e secos das últimas décadas em Portugal continental. De acordo com o balanço climatológico divulgado esta quinta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o país registou duas ondas de calor, temperaturas persistentemente elevadas e níveis de precipitação muito abaixo do normal, condições que contribuíram para a redução da água disponível no solo e para o aparecimento de seca meteorológica em várias zonas do território.
Choveu apenas 30% do habitual
O boletim climatológico do IPMA indica que, durante o mês de junho, a precipitação total foi de apenas 6,9 milímetros, o equivalente a 30% da média registada no período de referência entre 1991 e 2020.
Este foi o sétimo mês de junho mais seco desde o ano 2000.
Já a temperatura média do ar atingiu os 22,41 graus Celsius, um valor 2,06 graus acima da média climatológica, tornando junho de 2026 no quarto mais quente desde o início dos registos, em 1931.
A temperatura máxima média fixou-se nos 29,35 graus, mais 2,65 graus do que o habitual, enquanto a temperatura mínima média foi de 15,47 graus, ultrapassando em 1,46 graus o valor normal.
Duas ondas de calor marcaram o mês
A primeira onda de calor decorreu entre os dias 9 e 24 de junho, tendo sido registada em 14 estações meteorológicas. O fenómeno afetou sobretudo o interior Norte e Centro e regiões a sul do Tejo, prolongando-se durante 13 dias no distrito de Bragança.
A segunda onda de calor teve início a 29 de junho e estendeu-se pelos primeiros dias de julho, abrangendo grande parte do interior do país e a região do Vale do Tejo.
Durante o mês foram ainda estabelecidos três novos recordes da temperatura mínima mais elevada nas estações meteorológicas de Vinhais, Bragança e Montalegre.
O valor máximo de temperatura registado foi de 42,7 graus Celsius, medido no Pinhão, no distrito de Vila Real, no dia 21 de junho.
Madeira e Açores também registaram temperaturas acima do normal
O IPMA refere ainda que a Madeira registou um mês de junho com temperaturas médias acima do normal e precipitação inferior ao esperado.
Nos Açores, junho foi igualmente caracterizado por temperaturas relativamente elevadas e por um tempo mais seco do que o habitual.
Os dados agora divulgados confirmam uma tendência de aquecimento e de diminuição da precipitação em Portugal, num contexto de crescente impacto das alterações climáticas sobre os recursos hídricos e o risco de seca.