sexta-feira, 13 mar. 2026

Jovem português vai a tribunal por incentivar massacres em escolas no Brasil

O jovem, de 20 anos, começa a ser julgado esta quinta-feira no Tribunal de Santa Maria da Feira, de onde é natural.
Jovem português vai a tribunal por incentivar massacres em escolas no Brasil

Um jovem português acusado de ter instigado massacres em escolas no Brasil, num dos quais morreu uma adolescente, começa a ser julgado amanhã, dia 19 de fevereiro, no Tribunal de Santa Maria da Feira.

Mikkaz, nome usado por Miguel Ângelo, terá criado um grupo em 2023, na plataforma Discord, denominado "The Kiss", que era utilizado para partilhar vídeos de carácter violento, com transmissão em direto, como massacres, tortura de pessoas e animais, vídeos de automutilação e material de pornografia infantil.

Segundo o Ministério Público, o jovem terá ainda, no mesmo grupo, planeado o homicídio de um sem-abrigo em São Paulo, em fevereiro de 2024.

O objetivo dos autores dos atos seria obterem reconhecimento do jovem e subirem na hierarquia da comunidade 'online'.

Entre estes crimes, está a instigação de quatro massacres em escolas no Brasil, incluindo o que ficou conhecido como o Massacre de Sapopemba, em São Paulo, no qual um adolescente de 16 anos matou com um tiro na nuca uma colega de 17, e feriu outros três estudantes em outubro de 2023. O Ministério Público acredita que o autor do ataque não teria tido coragem para avançar, se não tivesse sido orientando e incentivado por Mikkaz.

Os restantes três foram travados pelas autoridades antes de acontecerem e os seus eventuais autores teriam 12, 13 e 14 anos.

O grupo, com presença noutras plataformas, terá igualmente servido para o suspeito partilhar pornografia de menores e difundir conteúdos de ódio contra pessoas homossexuais e negras, tendo chegado a partilhar imagens suas com uma farda nazi e uma caçadeira.

O arguido é acusado por instigar sete crimes de homicídio, um deles consumado. Responde ainda por três mortes e maus-tratos a animais de companhia. Está também acusado de instigação e apologia pública de um crime, associação criminosa, pornografia de menores, coação e incitamento ao ódio, à violência e ao suicídio.

Ao Jornal de Notícias e de acordo com a SIC Notícias, o advogado de defesa afirma que irá tentar demonstrar em julgamento que o jovem nunca teve um papel de liderança e que teve apenas uma participação passiva no grupo.