sexta-feira, 13 mar. 2026

Jovem português acusado de espionagem a favor da Rússia

Além das suspeitas de espionagem, o processo inclui um vasto conjunto de outros crimes, como furtos qualificados, crime de falsas declarações, de pornografia de menores, dois crimes de condução sem carta e 11 crimes de denúncia caluniosa.
Jovem português acusado de espionagem a favor da Rússia

Um cidadão português de 23 anos foi formalmente acusado pelo Ministério Público por crimes relacionados com tentativa de espionagem e violação do Segredo de Estado. O arguido encontra-se atualmente em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, por decisão judicial, de acordo com o jornal Observador.

De acordo com a investigação conduzida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), o caso teve origem num episódio ocorrido em fevereiro de 2025, quando o suspeito terá furtado um computador portátil e um iPad pertencentes a um militar sueco da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). O oficial encontrava-se em Portugal no âmbito de uma ação conjunta da aliança militar.

Na mesma altura, decorria na Escola da Base Naval de Lisboa, em Almada, uma conferência internacional dedicada ao planeamento de um grande exercício de experimentação de sistemas robóticos não tripulados. O evento, realizado entre 3 e 7 de fevereiro, reuniu cerca de 300 participantes, na sua maioria militares.

Segundo as autoridades, os conteúdos abordados durante o encontro tinham elevado interesse estratégico e poderiam despertar a atenção de serviços de informação estrangeiros, nomeadamente da Rússia.

A acusação sustenta que o jovem tentou aceder a documentos que considerava confidenciais, com a convicção de que poderia comercializá-los junto de entidades russas. Para esse efeito, terá procurado estabelecer contacto com a Embaixada da Rússia em Lisboa, sem conseguir concretizar qualquer transação.

Durante a investigação, o arguido terá ainda tentado desviar as suspeitas através de falsas declarações. Num dos depoimentos, afirmou integrar uma alegada rede criminosa dedicada à espionagem, identificando vários supostos cúmplices, incluindo um inspetor da Polícia Judiciária. As diligências posteriores demonstraram, contudo, que essas afirmações não tinham fundamento.

Além das suspeitas de espionagem, o processo inclui um vasto conjunto de outros crimes. O arguido está acusado de três furtos qualificados, dois deles praticados em coautoria, dois crimes de uso indevido de documentos, um crime de falsas declarações, um crime de pornografia de menores, dois crimes de condução sem carta e 11 crimes de denúncia caluniosa.

Face à gravidade dos factos e ao risco para a investigação, o tribunal determinou a manutenção da prisão preventiva.