quinta-feira, 14 mai. 2026

Jovem de 16 anos perseguida e ameaçada após gravidez não planeada no Porto. A família do rapaz quer forçá-la a abortar

A família do rapaz não permite uma relação com uma pessoa fora da sua etnia,.Já do lado da rapariga, não aceitam uma interrupção voluntária da gravidez.
Jovem de 16 anos perseguida e ameaçada após gravidez não planeada no Porto. A família do rapaz quer forçá-la a abortar

Uma jovem de 16 anos denuncia estar a ser perseguida e ameaçada após uma gravidez não planeada, fruto de uma relação ocasional. A família do rapaz, de 17 anos, tem feito ameaças graves à jovem e à mãe desta, por quererem avançar com a gravidez.

Em causa estão ideologias religiosas que, do lado da família do rapaz, não permitem uma relação com uma pessoa fora da sua etnia e, do lado da rapariga, não aceitam uma interrupção voluntária da gravidez. Do lado do pai da criança há ainda uma outra questão étnica: o jovem já está "prometido" para casar com uma jovem da sua etnia e um filho fora dessa relação seria um desrespeito para a família e para com a sua futura mulher.

A jovem descobriu que estava grávida de cinco meses no dia 18 de março e, desde que contou ao rapaz, que tem sido perseguida na Escola Secundária que ambos frequentam, no Porto.

Numa das ocasiões, segundo conta o Correio da Manhã, a grávida foi coagida a entrar dentro de um carro conduzido pelo rapaz de 17 anos, que a levou até à sua mãe e avó. As duas familiares tentaram obrigá-la a abortar, oferecendo dinheiro e roupas em troca, garantindo que se não o fizesse, iria "sofrer as consequências": Após perceberem que a jovem não iria ceder, tiveram comportamentos violentos.

Também a mãe da jovem, cristã evangélica, tem sofrido ameaças, incluindo com mensagens onde avisam as duas que "o nascimento da criança terá consequências" e que "as ameaças só irão parar quando o bebé estiver morto". Este tipo de perseguição tem feito a menor e a sua mãe temerem não só pelas suas vidas, como pela vida do bebé que irá nascer.

A situação obrigou a que responsáveis da escola chamassem a PSP ao local, estando agora a situação entregue ao Ministério Público. Também a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) já tomou conhecimento do caso.