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Um grupo de 30 escritores, professores e figuras ligadas ao setor cultural dirigiu uma carta aberta ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, defendendo que José Saramago deve continuar a integrar o conjunto de leituras obrigatórias do 12.º ano.
A iniciativa surge na sequência da proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, conhecida em março, que deixa de exigir a leitura integral de uma das obras do Nobel português, permitindo às escolas optar, em alternativa, por Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho.
Carta pretende recolocar tema no debate público
Segundo os promotores da iniciativa, o objetivo é evitar que o assunto desapareça da agenda pública.
Citado pela Lusa, Pedro Libero Ferreira, diretor da Escola Secundária José Saramago, em Mafra, afirmou que a carta pretende "trazer novamente para a opinião pública um assunto que parecia ter caído no esquecimento".
O responsável considera que a alteração proposta pode permitir que muitos estudantes concluam o ensino secundário sem nunca terem estudado uma obra de José Saramago.
Entre os signatários encontram-se nomes como Lídia Jorge, Valter Hugo Mãe, Dulce Maria Cardoso, Ondjaki, João Tordo, Inês Pedrosa, Maria do Rosário Pedreira e Tiago Rodrigues.
O receio de que alunos terminem a escola sem ler Saramago
Na carta, os subscritores alertam que, tal como está formulada, a proposta permite que "um aluno pode concluir o 12.º ano sem nunca estudar José Saramago".
Os autores reconhecem a importância de outros nomes da literatura portuguesa, mas sustentam que o escritor ocupa "um lugar singular" no património literário nacional.
Defendem ainda que a possibilidade de incluir obras de Saramago através do chamado contrato de leitura não constitui uma garantia efetiva da sua presença no currículo.
Críticas à proposta do Ministério
Também ouvido pela Lusa, o professor catedrático emérito Carlos Reis, primeiro subscritor da carta, criticou a eventual retirada das obras obrigatórias do escritor.
Para Carlos Reis, Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis estão entre "das mais admiráveis obras literárias de toda a literatura portuguesa".
O académico considera que a substituição da obrigatoriedade por uma escolha opcional representa uma desvalorização da obra do Nobel da Literatura e acusa a tutela de afastar do espaço escolar um dos autores mais relevantes da língua portuguesa.
O Ministério da Educação ainda não divulgou a versão final das Aprendizagens Essenciais de Português, mantendo-se o debate em torno do lugar de José Saramago no ensino secundário.