quarta-feira, 15 abr. 2026

Jogo online abranda em Portugal, mas Estado arrecada recorde em impostos

O mercado regulado de jogo online em Portugal cresceu ao ritmo mais baixo de sempre em 2025, mas garantiu ao Estado uma receita fiscal recorde de 353 milhões de euros
Jogo online abranda em Portugal, mas Estado arrecada recorde em impostos

O setor do jogo online em Portugal registou, em 2025, uma desaceleração significativa, confirmando uma tendência de maturidade do mercado.

De acordo com dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), as receitas totais atingiram 1,2 mil milhões de euros, o que representa um crescimento anual de 8,5% — o mais baixo desde a regulação do setor.

Também o número de jogadores dá sinais de abrandamento, uma vez que as contas ativas recuaram 0,64% em média anual e os novos registos caíram 21,8%, para cerca de 910 mil contas.

Estado encaixa valor recorde com imposto

Apesar da travagem no crescimento, a receita fiscal do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) atingiu um novo máximo de 353 milhões de euros em 2025 (+5,4% face a 2024)

O crescimento foi impulsionado sobretudo pelos:

  • Jogos de fortuna ou azar, com receitas a subir 11,85%

  • Apostas desportivas à cota, que cresceram apenas 3,23%

No caso das apostas desportivas, registou-se mesmo uma queda de 0,9% no volume apostado, refletindo-se no imposto arrecadado.

Mercado atinge fase de maturidade

Para Ricardo Domingues, presidente da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), os dados confirmam uma evolução natural: “Uma desaceleração do crescimento do mercado, característica de um setor que entra numa fase de maior maturidade.”

O responsável sublinha que, após quase uma década de atividade regulada, o setor beneficia agora de uma estabilização dos padrões de consumo.

Apesar dos números positivos para os cofres públicos, a APAJO alerta para um problema persistente, uma vez que cerca de 40% dos portugueses continuam a apostar em plataformas ilegais.

A associação defende um reforço das medidas de combate ao jogo ilegal e uma atualização da oferta legal para acompanhar a procura

Casinos e bingo também em queda

A desaceleração não se limita ao online. Em 2025 as receitas dos casinos físicos caíram 1,15% e as salas de bingo recuaram 1,56%

Outro dado relevante prende-se com os mecanismos de proteção já que as novas autoexclusões diminuíram 1,06%, pela primeira vez e o total de contas autoexcluídas atingiu 361 mil, com o menor crescimento de sempre.

Apesar do abrandamento, o jogo online mantém-se como uma importante fonte de receita fiscal e um setor relevante para a economia nacional.

Segundo a APAJO, os operadores licenciados continuam a garantir um ambiente seguro, regulado e transparente, contribuindo para o financiamento de áreas de interesse público.

Com o crescimento a perder ritmo e o mercado a consolidar-se, o foco do setor passa agora por:

  • Combater o jogo ilegal

  • Reforçar a competitividade da oferta regulada

  • Manter elevados padrões de proteção do jogador

O ciclo de expansão acelerada poderá estar a chegar ao fim, dando lugar a uma nova fase de estabilidade e regulação mais exigente.