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O setor do jogo online em Portugal registou, em 2025, uma desaceleração significativa, confirmando uma tendência de maturidade do mercado.
De acordo com dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), as receitas totais atingiram 1,2 mil milhões de euros, o que representa um crescimento anual de 8,5% — o mais baixo desde a regulação do setor.
Também o número de jogadores dá sinais de abrandamento, uma vez que as contas ativas recuaram 0,64% em média anual e os novos registos caíram 21,8%, para cerca de 910 mil contas.
Estado encaixa valor recorde com imposto
Apesar da travagem no crescimento, a receita fiscal do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) atingiu um novo máximo de 353 milhões de euros em 2025 (+5,4% face a 2024)
O crescimento foi impulsionado sobretudo pelos:
Jogos de fortuna ou azar, com receitas a subir 11,85%
Apostas desportivas à cota, que cresceram apenas 3,23%
No caso das apostas desportivas, registou-se mesmo uma queda de 0,9% no volume apostado, refletindo-se no imposto arrecadado.
Mercado atinge fase de maturidade
Para Ricardo Domingues, presidente da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), os dados confirmam uma evolução natural: “Uma desaceleração do crescimento do mercado, característica de um setor que entra numa fase de maior maturidade.”
O responsável sublinha que, após quase uma década de atividade regulada, o setor beneficia agora de uma estabilização dos padrões de consumo.
Apesar dos números positivos para os cofres públicos, a APAJO alerta para um problema persistente, uma vez que cerca de 40% dos portugueses continuam a apostar em plataformas ilegais.
A associação defende um reforço das medidas de combate ao jogo ilegal e uma atualização da oferta legal para acompanhar a procura
Casinos e bingo também em queda
A desaceleração não se limita ao online. Em 2025 as receitas dos casinos físicos caíram 1,15% e as salas de bingo recuaram 1,56%
Outro dado relevante prende-se com os mecanismos de proteção já que as novas autoexclusões diminuíram 1,06%, pela primeira vez e o total de contas autoexcluídas atingiu 361 mil, com o menor crescimento de sempre.
Apesar do abrandamento, o jogo online mantém-se como uma importante fonte de receita fiscal e um setor relevante para a economia nacional.
Segundo a APAJO, os operadores licenciados continuam a garantir um ambiente seguro, regulado e transparente, contribuindo para o financiamento de áreas de interesse público.
Com o crescimento a perder ritmo e o mercado a consolidar-se, o foco do setor passa agora por:
Combater o jogo ilegal
Reforçar a competitividade da oferta regulada
Manter elevados padrões de proteção do jogador
O ciclo de expansão acelerada poderá estar a chegar ao fim, dando lugar a uma nova fase de estabilidade e regulação mais exigente.