Janeiro deverá ser o mês mais chuvoso de sempre, diz presidente da APA

Apesar da confiança no trabalho preventivo realizado, o presidente da APA sublinhou que “o risco zero não existe”, assegurando, ainda assim, que esta é “a melhor situação de sempre” para enfrentar as atuais intempéries

O mês de janeiro deverá ser o mais chuvoso de sempre em Portugal, depois de dezembro já ter registado uma das maiores pluviosidades de que há registo, revelou esta terça-feira o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado.

“Estamos a viver um tempo excecional, nunca vivemos um tempo assim. Vamos ter talvez o mês de janeiro mais chuvoso de sempre e tivemos dezembro como um dos mais chuvosos de sempre”, afirmou, à margem de uma reunião em Coimbra sobre a situação do rio Mondego e as medidas de mitigação e controlo de cheias.

Apesar de classificar o cenário como uma crise sem precedentes, Pimenta Machado garantiu que a situação tem sido gerida. “Estamos a meio de um jogo que mais parece uma batalha. Fizemos a última tempestade e ganhámos, agora temos a segunda pela frente e estamos mais bem preparados do que nunca”, disse.

Segundo o responsável, a barragem da Aguieira encontra-se atualmente à cota 115,9, abaixo da cota de referência de 117, o que permite uma maior margem de segurança para enfrentar a nova tempestade, que deverá entrar durante a madrugada de quarta-feira e intensificar-se na quinta-feira. Uma nova depressão é esperada para o fim de semana.

Mondego com comportamento imprevisível

Pimenta Machado explicou que o Mondego apresenta características diferentes de outros rios nacionais, uma vez que corre entre diques acima da cota dos terrenos envolventes, o que torna as cheias mais imprevisíveis e potencialmente mais violentas.

“Quando um dique rompe, gera-se uma onda de cheia com grande energia, muito diferente das cheias do Douro, que são mais lentas e permitem uma gestão mais gradual”, explicou, citado pela agência Lusa.

Apesar da confiança no trabalho preventivo realizado, o presidente da APA sublinhou que “o risco zero não existe”, assegurando, ainda assim, que esta é “a melhor situação de sempre” para enfrentar as atuais intempéries.

Dez mortos e milhares de afetados

Desde a semana passada, dez pessoas morreram na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à depressão Kristin, a que se juntaram outros óbitos resultantes de quedas de telhados durante reparações e de intoxicação por monóxido de carbono provocada por um gerador.

Entre os principais impactos estão a destruição parcial ou total de habitações e empresas, quedas de árvores e estruturas, cortes de estradas e de linhas ferroviárias, encerramento de escolas e falhas no fornecimento de energia, água e comunicações. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais afetados.

O Governo decretou situação de calamidade para 68 concelhos até ao próximo domingo e anunciou um pacote de apoios que pode chegar aos 2,5 mil milhões de euros.