terça-feira, 21 jul. 2026

Investigadores da Universidade de Aveiro criam material que elimina mais de 90% dos poluentes da água

Uma equipa da Universidade de Aveiro desenvolveu um material inovador produzido a partir de resíduos industriais capaz de remover mais de 90% de antibióticos presentes na água. A tecnologia aposta na economia circular e poderá contribuir para um tratamento mais sustentável das águas contaminadas
Investigadores da Universidade de Aveiro criam material que elimina mais de 90% dos poluentes da água

Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveram um novo material sustentável, produzido a partir de resíduos industriais, capaz de remover de forma muito eficiente poluentes presentes na água, incluindo antibióticos considerados uma ameaça crescente para o ambiente e para a saúde pública.

Segundo revelou esta terça-feira a instituição, o novo material utiliza a chamada lama vermelha, um resíduo gerado durante o processo de refinação da bauxite — a principal matéria-prima utilizada na produção de alumínio — transformando-o em estruturas tridimensionais produzidas por impressão 3D que funcionam como filtros avançados para descontaminação de água.

Tecnologia combina impressão 3D e nanotecnologia

O projeto foi desenvolvido por investigadores do Departamento de Química e do Instituto de Materiais de Aveiro (CICECO), que incorporaram nanotubos de carbono e dióxido de titânio na estrutura do material.

Quando exposto à luz ultravioleta, o sistema desencadeia reações fotocatalíticas capazes de degradar contaminantes presentes na água.

Nos testes realizados, o novo material conseguiu remover mais de 90% do antibiótico ciprofloxacina ao fim de uma hora, tendo eliminado completamente este poluente em apenas 30 minutos.

Material mantém eficácia após várias utilizações

De acordo com a UA, uma das principais vantagens da tecnologia reside na sua durabilidade. "O sistema mantém a capacidade de descontaminação ao longo de vários ciclos de utilização e demonstra eficácia em misturas complexas de contaminantes", destaca a instituição, citada pela agência Lusa.

Esta característica aumenta o potencial de utilização do material em aplicações de tratamento de águas residuais, reduzindo simultaneamente os custos associados à substituição frequente dos filtros.

Economia circular dá nova vida a resíduos industriais

Os investigadores sublinham que o estudo representa também um exemplo de aplicação dos princípios da economia circular, ao transformar um resíduo industrial de difícil valorização num material com elevado valor acrescentado.

"O estudo combina a valorização de resíduos com a economia circular e cria novas soluções sustentáveis para o tratamento de águas contaminadas", refere a UA.

A lama vermelha é produzida em grandes quantidades pela indústria do alumínio e constitui um dos resíduos industriais mais abundantes a nível mundial, sendo o seu aproveitamento considerado um desafio ambiental.

Investigação envolve especialistas de várias áreas

O trabalho científico contou com a participação dos investigadores Nuno Gonçalves, Ricardo Silva, Tito Trindade e Rui Novais, do Departamento de Química, do Instituto de Materiais de Aveiro (CICECO) e do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da Universidade de Aveiro.

A investigação poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novas soluções para a descontaminação de águas residuais, contribuindo para reduzir a presença de fármacos e outros poluentes emergentes nos ecossistemas aquáticos, uma preocupação crescente devido ao impacto ambiental e ao risco de desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos.