Inteligência artificial conquista espaço na saúde entre os portugueses, revela estudo

Cerca de 51% dos portugueses recorre a ferramentas de inteligência artificial, em vez de consultar o médico.
Inteligência artificial conquista espaço na saúde entre os portugueses, revela estudo

A inteligência artificial está a ganhar cada vez mais espaço na forma como os portugueses procuram informação sobre saúde. Um estudo recente revela que cerca de 51% dos portugueses recorre a ferramentas de inteligência artificial, em vez de consultar o médico.

Os dados constam do relatório STADA Health Report 2026, que envolveu 20.000 entrevistados, e colocou Portugal na 15.ª posição entre 20 países. Cazaquistão lidera na primeira posição (74%) e Uzbequistão está no último lugar da tabela (45%).

Segundo o relatório, cerca de 30% dos portugueses usam IA para para interpretar diagnósticos médicos, tornando esta a utilização mais frequente. Outros 22% recorrem à tecnologia para obter informação sobre prevenção de doenças, enquanto 13% a utilizam para preparar consultas médicas.

Há ainda 11% que procuram uma segunda opinião através destas plataformas, enquanto 6% admite utilizá-las como apoio em questões relacionadas com a saúde mental. Apesar do crescimento desta tendência, 49% dos portugueses afirma não recorrer à inteligência artificial para qualquer assunto relacionado com a saúde.

Muitos aceitariam partilhar o historial clínico

Quatro em cada dez portugueses (41%) afirmam que estariam disponíveis para armazenar o seu historial clínico e outros dados de saúde num sistema de inteligência artificial, caso isso permitisse melhorar diagnósticos, tratamentos ou estratégias de prevenção.

Receio de erros continua a ser a principal preocupação

Apesar da crescente utilização destas ferramentas, a confiança dos portugueses na inteligência artificial continua a ser limitada.

O maior receio prende-se com a possibilidade de a tecnologia produzir diagnósticos incorretos ou cometer erros clínicos, preocupação partilhada por 61% dos inquiridos, um valor superior ao registado na média europeia.

A proteção dos dados pessoais surge como outra preocupação relevante: 46% teme uma utilização indevida das informações clínicas, enquanto 43% receia que a expansão da inteligência artificial reduza o contacto humano entre médicos e doentes.

Diagnósticos mais rápidos são vistos como vantagem

Apesar das reservas, os portugueses reconhecem vantagens na utilização da inteligência artificial na área da saúde.

Mais de metade dos participantes considera que esta tecnologia poderá acelerar a identificação de doenças e tornar os diagnósticos mais rápidos.

Outros acreditam que poderá facilitar o acesso aos cuidados de saúde, sobretudo em regiões mais isoladas ou com menor cobertura médica, enquanto uma parte significativa entende que a IA poderá ajudar os profissionais a manterem-se atualizados relativamente aos mais recentes avanços científicos.

Europa de Leste mais recetiva à inteligência artificial

A análise internacional conclui que a aceitação da inteligência artificial varia significativamente entre países.

Os mercados da Europa de Leste revelam níveis de confiança superiores aos observados na Europa Ocidental, onde os cidadãos continuam a demonstrar maior prudência relativamente ao recurso a estas ferramentas para decisões clínicas.

Médicos continuam a ser a principal referência

Apesar da crescente presença da inteligência artificial, os profissionais de saúde mantêm-se como a principal fonte de confiança dos cidadãos.

Segundo o relatório, 77% dos europeus continua a recorrer ao médico de família ou a outros profissionais para tomar decisões relacionadas com a sua saúde, enquanto cerca de oito em cada dez prefere consultas presenciais em vez de atendimento exclusivamente digital.

O estudo foi realizado pelo instituto internacional Human8, a pedido do grupo farmacêutico STADA, através de um inquérito online realizado em vários países como: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Cazaquistão, Espanha, França, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Sérvia, Eslováquia, Suíça, Chéquia e Uzbequistão.