segunda-feira, 09 mar. 2026

Inteligência Artificial ameaça baixar receitas no setor cultural

Segundo o relatório da UNESCO, o impacto da inteligência artificial generativa poderá traduzir-se, até 2028, em perdas de receitas de 24% para criadores de música e de 21% para criadores do setor audiovisual.
Inteligência Artificial ameaça baixar receitas no setor cultural

De acordo com um relatório da UNESCO sobre o setor cultural e criativo, divulgado esta quarta-feira, Artistas e profissionais da cultura poderão enfrentar perdas globais de receitas até 24% nos próximos dois anos, em consequência do impacto da inteligência artificial generativa, avança a Lusa.

O relatório "Re|Shaping Policies for Creativity", lançado hoje em Paris, "analisa um panorama cultural em rápida evolução, moldado pela transformação digital, pela Inteligência Artificial (IA), pela alteração das dinâmicas do comércio global e pelo agravamento das ameaças à liberdade artística", revela a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), em comunicado.

O documento congrega dados de mais de 120 países sobre a evolução do setor cultural e criativo, aponta para a necessidade de políticas mais fortes para proteger os criadores face ao aumento das desigualdades.

Segundo o relatório, o impacto da inteligência artificial generativa poderá traduzir-se, até 2028, em perdas de receitas de 24% para criadores de música e de 21% para criadores do setor audiovisual.

Atualmente, as receitas digitais representam 35% do rendimento dos criadores, face a 17% em 2018, assinalando uma mudança estrutural acompanhada de instabilidade de rendimentos e maior exposição a infrações de propriedade intelectual.

A UNESCO sublinha que, embora as indústrias culturais e criativas sejam cada vez mais reconhecidas como motores de crescimento económico, coesão social e desenvolvimento sustentável, os seus sistemas de apoio "permanecem frágeis e desiguais".

Segundo o relatório, 85% dos países analisados incluem as indústrias culturais e criativas nos planos nacionais de desenvolvimento, mas apenas 56% definem objetivos culturais específicos, o que demonstra uma "discrepância entre compromissos gerais e ações".

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