segunda-feira, 17 ago. 2026

INEM prepara-se para pôr enfermeiros a atender telefones

INEM abriu 200 vagas para técnicos, mas só tem 40 candidatos. Perante a falta de meios, presidente do organismo prepara-se para colocar enfermeiros a substituir os técnicos de emergência pré-hospitalar a atender e a fazer a triagem das chamadas que chegam pela Linha Saúde 24.
INEM prepara-se para pôr enfermeiros  a atender telefones

Afalta de meios humanos levou o INEM a abrir 200 vagas, no início do ano, para recrutar novos técnicos de emergência pré-hospitalar para prestarem serviços nas ambulâncias e nas linhas de atendimento. Mas, agora, em julho, restavam apenas 40 candidatos. «E não sabemos se vão concluir todos o processo», explica Luís Cabral, acrescentando que os futuros técnicos estão ainda em formação, que deverá estar concluída antes do final do ano.

As 200 vagas foram abertas para tentar combater a falta de profissionais no INEM. Mas, dos cerca de 100 que se candidataram inicialmente, muitos foram desistindo do processo, que apenas exige o 12.º ano e a carta de condução.

Perante os fracos números, e tendo em conta a necessidade de ter mais técnicos para tripularem as ambulâncias e atenderem as chamadas que chegam do 112 ou da Linha Saúde 24 ao CODU - Centro de Atendimento de Doentes Urgentes, o presidente do INEM tem em curso uma estratégia: vai colocar enfermeiros a atender as cerca de 500 chamadas que todos os dias vão parar ao CODU através da linha Saúde 24, adiantou ao SOL.

Trata-se de uma novidade, uma vez que, até agora, só os técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) atendiam essas chamadas. A ideia, segundo Luís Cabral, é disponibilizar os técnicos de emergência no atendimento dos pedidos de socorro que chegam através do 112, que rondam os 3.500 por dia, e na tripulação de ambulâncias.

Para que os enfermeiros possam substituir os técnicos de emergência pré-hospitalar no atendimento das chamadas da Linha Saúde 24, será instalado um novo modelo de triagem no sistema informático. Em causa está uma triagem igual à que é feita nos hospitais.

Para Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-hospitalar (STEPH), para atenderem chamadas nos CODU os enfermeiros terão de fazer a mesma formação dos TEPH.

Por outro lado, o responsável sindical diz que não será fácil arranjar profissionais de enfermagem. «Seria sempre uma solução muito dispendiosa em salários e, além disso, não há enfermeiros disponíveis para o fazer», diz ao SOL Rui Lázaro, frisando que «a prova disso são os últimos concursos para enfermeiros em que o INEM não conseguiu completar as vagas abertas».

Quando, em março deste ano, o presidente do INEM foi ouvido no Parlamento, já abriu a porta ao recurso a outro tipo de pessoal, nomeadamente bombeiros, para assegurar as ambulâncias, assumindo que é um caminho que pode agitar os profissionais do setor. «Percebo que o sindicato dos técnicos não goste, mas não vou ficar à espera de ter técnicos para dar resposta aos doentes», avisou na altura Luís Cabral.