quarta-feira, 13 mai. 2026

Imigrantes fingiam ser gays para obter asilo no Reino Unido

Rede de consultoria jurídica é suspeita de ajudar requerentes de asilo a fabricarem provas de perseguição com base na alegada orientação sexual. Casos envolvem documentos falsos, instruções detalhadas e estratégias para enganar autoridades britânicas, segundo uma reportagem da BBC.
Imigrantes fingiam ser gays para obter asilo no Reino Unido

Uma investigação da emissora pública britânica BBC revelou a existência de um alegado esquema fraudulento no Reino Unido destinado a obter asilo através de falsas alegações de perseguição por orientação sexual.

Segundo a reportagem, vários consultores jurídicos estariam a cobrar entre 2.500 e 7.000 libras (cerca de 2.900 a 9.200 euros) para preparar processos com documentação alegadamente fabricada, usada para sustentar pedidos de proteção internacional.

Entre os elementos referidos na investigação incluem-se cartas fictícias de relações amorosas, relatórios médicos com diagnósticos como depressão e alegações de seropositividade, bem como outros documentos destinados a reforçar a narrativa de perseguição em países de origem.

A investigação jornalística, realizada com repórteres infiltrados, aponta ainda que os requerentes seriam instruídos a frequentar grupos de apoio LGBT no Reino Unido, de forma a recolher fotografias e “provas” de integração na comunidade.

De acordo com a BBC, muitos dos casos analisados envolveriam pessoas que entraram legalmente no país com vistos de turismo ou estudo e que, após a expiração desses vistos, recorrem ao pedido de asilo como via de permanência.

Num dos momentos registados, uma consultora terá admitido práticas deste tipo há vários anos, incluindo a criação de documentos falsos e o treino de candidatos para entrevistas com autoridades de imigração.

A investigação refere ainda que, em 2023, uma parte significativa dos pedidos de asilo por alegada perseguição com base na orientação sexual no Reino Unido teve origem em cidadãos do Paquistão, seguindo-se requerentes do Bangladesh, Nigéria, Índia e Uganda.