quinta-feira, 14 mai. 2026

Homens e mulheres veem infidelidade de forma diferente, conclui estudo do ISMT

Um estudo do Instituto Superior Miguel Torga revela que homens e mulheres têm perceções distintas sobre a infidelidade, com maior tolerância masculina à traição emocional e menor permissividade feminina
Homens e mulheres veem infidelidade de forma diferente, conclui estudo do ISMT

Homens e mulheres avaliam a infidelidade de forma diferente, sobretudo quando está em causa a componente emocional, segundo um estudo do Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra.

A investigação, conduzida pela psicóloga Maria Teresa Ribeiro, analisou a forma como casais que utilizam redes sociais reagem à traição, distinguindo entre infidelidade emocional e sexual.

De acordo com os resultados, os homens tendem a mostrar maior tolerância quando a traição não envolve contacto físico, relativizando comportamentos como a proximidade emocional ou a troca de mensagens. Já as mulheres apresentam menor permissividade e atribuem maior relevância à componente emocional da quebra de confiança.

A psicóloga Joana Carvalho, que orientou o estudo, sublinha que não se trata apenas de uma diferença de opinião. “Homens e mulheres não avaliam necessariamente o mesmo comportamento de forma igual”, refere, explicando que enquanto alguns distinguem entre envolvimento emocional e físico, outros encaram qualquer quebra de exclusividade como uma ameaça direta à relação.

Redes sociais não aumentam tolerância

Contrariando expectativas iniciais, a investigação concluiu que uma maior utilização das redes sociais não está associada a uma maior tolerância à infidelidade.

Segundo a agência Lusa, o estudo indica ainda que, embora muitos casais acabem por perdoar a traição, várias relações tornam-se mais tóxicas após esse episódio.

Outro dado relevante aponta para a ausência de consenso sobre o que constitui infidelidade. Segundo os investigadores, tanto interações digitais em redes sociais como o envolvimento físico são valorizados, o que contribui para interpretações distintas da gravidade da situação.

A investigação conclui que a decisão de manter ou terminar uma relação após um caso de infidelidade não depende apenas do comportamento em si, mas sobretudo da forma como este é interpretado pelos parceiros.

“Não há variáveis que ditem por si só o destino de um casal”, afirma Maria Teresa Ribeiro, citada pela agência Lusa, acrescentando que o impacto de cada fator na decisão de continuar a relação é limitado.

Os dados revelam ainda que casais insatisfeitos nem sempre terminam após uma traição, evidenciando que a relação entre insatisfação e rutura não é linear.

Por fim, o estudo conclui que pessoas que já traíram em relações anteriores tendem a demonstrar maior tolerância face à infidelidade nas relações atuais