sexta-feira, 13 mar. 2026

Homem falsifica testamento de namorada morta para ficar com mais de meio milhão de euros da filha menor

Empresária deixou herança de cerca de 580 mil euros à filha de 16 anos, mas ex-companheiro apresentou documento que tribunal considerou “falsificado”
Homem falsifica testamento de namorada morta para ficar com mais de meio milhão de euros da filha menor

Kassy Sinar, dona de uma empresa de limpeza em Londres e mãe de uma filha de 16 anos, tinha apenas 46 anos quando perdeu a batalha contra o cancro da mama, em outubro de 2023. Num testamento feito em 2022, deixou toda a sua herança de 500 mil libras, cerca de 580 mil euros, num fundo para Jocey, a sua filha.

No entanto, após a sua morte, o ex-companheiro, Cengiz Arif, pai de Jocey, tentou reivindicar o dinheiro da filha para si próprio. Para isso, apresentou um documento que alegava ser o verdadeiro testamento de Sinar, datado de 10 de maio de 2023, segundo o qual a totalidade da herança lhe seria atribuída.

Cengiz Arif alegou ainda que ele e Kassy se tinham casado secretamente no Chipre, a 19 de setembro de 2006, sem conhecimento da família. Segundo foi relatado em tribunal, Arif terá também proibido os familiares de comparecerem ao funeral de Sinar, realizado em Londres, apesar de a ter abandonado e de ter fugido para o estrangeiro enquanto esta estava à beira da morte.

Contudo, Ernest Sinar, irmão de Kassy, juntamente com a sua mulher, Michele, atualmente tutores legais da sobrinha Jocey, avançaram com um processo judicial em nome da família. O caso foi analisado pela tribunal em Londres, que concluiu que tanto a certidão de casamento como o alegado testamento de 2023 apresentados por Cengiz Arif tinham sido “falsificadas”.

A juíza Karen Shuman confirmou que o testamento válido era o de 2022, que coloca a totalidade do dinheiro num fundo destinado à filha menor, deixando Arif sem qualquer parte da herança. Além disso, ordenou que o arguido pagasse os custos judiciais estimados em 206 mil libras, cerca de 239 mil euros, suportados por Ernest Sinar na contestação do caso.

O tribunal garantiu assim que a herança permanece protegida em benefício da menor, afastando qualquer direito do ex-companheiro sobre o património deixado por Kassy Sinar.