terça-feira, 21 jul. 2026

Homem de 75 anos condenado a 20 anos de prisão por homicídio à facada em Águeda

Um homem de 75 anos foi condenado a 20 anos de prisão por matar uma testemunha de acusação num processo em que tinha sido condenado por furto. Após o crime, ateou ainda um incêndio num escritório de advogados em Águeda
Homem de 75 anos condenado a 20 anos de prisão por homicídio à facada em Águeda

O Tribunal de Aveiro condenou esta segunda-feira a 20 anos de prisão um homem de 75 anos que matou outro homem à facada, em março de 2023, na localidade de Espinhel, concelho de Águeda.

O coletivo de juízes considerou provada, na sua essência, a factualidade descrita pelo Ministério Público, condenando o arguido por um crime de homicídio qualificado consumado e por um crime de homicídio qualificado na forma tentada.

Pela prática do homicídio qualificado, o tribunal aplicou uma pena de 18 anos de prisão. Pelo crime de homicídio qualificado na forma tentada foi condenado a seis anos de prisão. Em cúmulo jurídico, foi fixada uma pena única de 20 anos de prisão.

O arguido foi ainda absolvido de um segundo crime de homicídio qualificado na forma tentada de que estava acusado.

Além da pena de prisão, foi condenado a pagar uma indemnização de 25 mil euros a uma advogada que se encontrava num escritório onde provocou um incêndio após o homicídio.

Durante o julgamento, o arguido admitiu ter matado a vítima, alegando que esta tinha prestado falsas declarações num processo em que foi condenado a sete anos de prisão por furto qualificado.

“Lamento e peço perdão. Foi num momento de raiva, ódio. Eu andava sem vida”, afirmou perante o tribunal.

Segundo relatou, o objetivo inicial seria convencer a vítima a reconhecer uma assinatura num documento que contrariaria o testemunho prestado em tribunal.

“A minha intenção não era matar. Só queria que ele dissesse a verdade”, declarou.

De acordo com a agência Lusa, o arguido afirmou ainda que, após uma troca de insultos, foi buscar uma faca ao automóvel e desferiu vários golpes no corpo do homem.

Vítima foi atingida com pelo menos 20 facadas

De acordo com a acusação do Ministério Público, os factos ocorreram em 24 de março de 2023.

O arguido, que tinha então pendente um mandado de detenção, esperou pela vítima numa rua de Espinhel e exigiu que alterasse o depoimento prestado no processo judicial.

Perante a recusa, atacou-a com uma faca, desferindo pelo menos 20 golpes que acabaram por provocar a sua morte.

Após o ataque, o homem dirigiu-se a um escritório de advogados em Águeda relacionado com o mesmo processo judicial.

Segundo o Ministério Público, transportava consigo gasolina e engenhos pirotécnicos, que utilizou para provocar um incêndio no interior do edifício.

O advogado que pretendia atingir não se encontrava no local, mas uma colega estava presente no escritório e teve de receber assistência médica por inalação de fumo.

Outras duas pessoas também necessitaram de assistência, embora não tenham sido identificadas durante o processo.

O arguido alegou em tribunal que o seu objetivo era apenas “dar um susto” e não provocar vítimas.

O homem assistiu à leitura do acórdão por videoconferência e permanecerá em prisão preventiva até ao trânsito em julgado da decisão ou até serem esgotados os prazos legais para eventual recurso.

Na leitura da sentença, o presidente do coletivo sublinhou que a acusação apresentada pelo Ministério Público ficou amplamente demonstrada em julgamento, sustentando a condenação agora aplicada.