O Tribunal Judicial de Leiria condenou esta quinta-feira a quatro anos e nove meses de prisão efetiva o homem que matou a tiro um amigo, em abril de 2025, num café na Nazaré.
O arguido foi considerado culpado de homicídio por negligência grosseira, tendo ainda sido condenado por detenção de arma proibida. Em cúmulo jurídico, foi aplicada a pena única de quatro anos e nove meses de prisão, que o coletivo de juízes decidiu não suspender.
Durante a leitura da sentença, a juíza presidente do coletivo sublinhou que a maioria dos factos da acusação ficou provada e destacou a confissão do arguido.
“O senhor também confessou os factos. Vai beneficiar dessa confissão, mas será condenado pelo crime de homicídio por negligência grosseira”, afirmou.
Ainda assim, o tribunal considerou que a gravidade dos factos exige cumprimento efetivo da pena. “A sociedade reclama esta pena, ninguém entenderia se fosse suspensa”, justificou a magistrada, citada pela agência Lusa.
Disparo aconteceu “numa brincadeira”
Segundo o tribunal, o arguido levou uma arma para o café e, durante uma alegada brincadeira, acabou por disparar.
“Ninguém vai buscar uma arma, chega ao café e, numa brincadeira mal contada, mostra a arma e prime o gatilho”, referiu a juíza.
O disparo atingiu a vítima, um homem de 68 anos, a curta distância. Apesar de o arguido acreditar que a arma não estava carregada, esta encontrava-se municiada, provocando ferimentos fatais.
De acordo com a acusação do Ministério Público, os factos ocorreram a 4 de abril de 2025. Após o disparo, a vítima foi transportada para o hospital de Leiria e posteriormente transferida para Coimbra, onde acabou por morrer quatro dias depois.
O arguido abandonou o local após o incidente.
O tribunal deu como procedente o pedido de indemnização civil, condenando o arguido a pagar 120 mil euros à família da vítima.
Além disso, terá de suportar as despesas hospitalares nas unidades de saúde de Leiria e Coimbra e os custos com o funeral.
Em tribunal, o arguido afirmou que tinha a arma “há muito tempo” e que a levou consigo com intenção de a vender.
“Foi só para a mostrar, uma coisa estúpida”, declarou, admitindo não se lembrar se a arma estava carregada.
Disse ainda conhecer a vítima “há muitos anos” e garantiu nunca ter tido conflitos com o amigo, classificando o sucedido como “um choque”.