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O crime remonta a 16 de janeiro deste ano. De acordo com a acusação do Ministério Público, citada pela Lusa, o suspeito contactou Maria Custódia Amaral, filha da atriz Delfina Cruz, a sua ex companheira, alegando que pretendia avançar com a venda da casa onde vivia, em São Bartolomeu dos Galegos, no concelho da Lourinhã, e que precisava de lhe entregar uma cópia da escritura.
A vítima, que trabalhava numa imobiliária nas Caldas da Rainha, deslocou-se até à residência do arguido. Segundo o Ministério Público, foi nesse local que o homem concretizou um plano que tinha "previamente elaborado", embora a motivação para o crime permaneça desconhecida.
Ainda segundo a acusação, numa divisão desocupada da casa, o arguido amarrou os braços da mulher, "despiu-a na totalidade, agrediu-a" e "enrolou película aderente em volta da cabeça".
Ministério Público diz que vítima morreu por asfixia
A acusação sustenta que Maria Custódia Amaral morreu devido à obstrução das vias respiratórias. O Ministério Público refere que o arguido "permaneceu indiferente e deixou-a morrer".
Depois da morte, terá colocado o corpo e a roupa da vítima em sacos de plástico, escondendo-os na arrecadação da habitação.
Segundo a investigação, o suspeito levou ainda consigo o telemóvel e o computador da vítima. Deslocou-se às Caldas da Rainha, onde lançou o telemóvel para o lago do Parque D. Carlos I e colocou o computador num contentor do lixo. Seguiu depois para Peniche, onde abandonou o carro da vítima e regressou a casa de táxi.
Corpo esteve escondido durante sete dias
Nos dias seguintes, de acordo com a acusação, o arguido procurou eliminar vestígios do crime e despistar as autoridades. Entre outras diligências, enviou uma mensagem para o telemóvel da vítima a perguntar se "estava tudo bem".
Na noite de 23 de janeiro, terá enrolado o corpo em cobertores, colocado-o na bagageira de um automóvel e transportado-o até ao areal da Lagoa de Óbidos, onde o enterrou.
PJ encontrou vestígios na casa do arguido
Após a participação do desaparecimento de Maria Custódia Amaral, a Polícia Judiciária iniciou a investigação e realizou buscas à residência do suspeito.
Segundo a acusação, foram encontrados vestígios do crime, bem como cartões bancários da vítima, a chave da viatura e a roupa que usava no dia em que desapareceu.
O homem foi acusado dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de fevereiro e aguarda agora julgamento.