terça-feira, 09 jun. 2026

Homem acusado de 49 burlas terá lucrado mais de 230 mil euros. Fingia vender carros em anúncios falsos no Facebook

O arguido dirigia-se a stands de automóveis para obter mais informação sobre os veículos que fingia vender.
Homem acusado de 49 burlas terá lucrado mais de 230 mil euros. Fingia vender carros em anúncios falsos no Facebook

Um homem de 31 anos está acusado de 49 crimes de burla em vendas anunciadas no Facebook, onde terá conseguido mais de 230 mil euros.

O arguido publicava anúncios entre o início do ano de 2021 e julho de 2023 a anunciar a venda de bens e produtos que não lhe pertenciam, incluindo automóveis. Estima-se que terá feito em média cerca de cinco mil euros em cada negócio.

As burlas afetaram diversas pessoas, de norte a sul de Portugal.

O suspeito, residente em Tábua, Coimbra, usava contas bancárias suas ou de terceiros, de acordo com a acusação do Ministério Público a que a Lusa teve acesso. Há ainda mais três arguidos no mesmo processo, julgados por fornecerem as suas contas para ajudar o primeiro homem em troca de um pagamento.

Depois de usar a sua identidade verdadeira, o homem começou a criar perfis falsos no Facebook para criar mais anúncios. Usava imagens de outras vendas, em alguns casos até de empresas verdadeiras, dos quais fingia ser proprietário. Começou por anunciar bens de menor valor, como telemóveis e bicicletas, e só mais tarde passou a anunciar a venda de carros.

Para conseguir informação mais detalhada sobre os produtos, sobretudo os automóveis, ligava para um stand perto da sua zona de residência e alegava estar interessada nos veículos para retirar a informação e passá-la aos possíveis interessados no seu falso anúncio.

O arguido chegou mesmo a forjar documentos, como declarações de compra e venda, tornando a burla mais credível.

Ao que as autoridades apuraram, grande parte do dinheiro obtido através destas burlas foi gasto nos casinos da Figueira da Foz, Póboa de Varzim e Espinho.

O arguido já tinha sido condenado por burla relacionada com a venda de telemóveis: num dos processos foi condenado a pena de prisão suspensa e, nos outros seis, ao pagamento de multas.

Além dos processos já fechados com condenação, o homem está acusado noutro de um crime de burla qualificada na venda de um veículo. Esteve associado a outros cinco processos que terminaram arquivados por desistência da queixa ou reparação dos prejuízos.

O homem irá começar a ser julgado no dia 3 de junho, estando acusado formalmente pelo MP de 49 crimes de burla qualificada, sendo 47 na forma consumada e dois na forma tentada. Além destes, está acusado de quatro crimes de uso de documento de identificação alheio, três de falsificação de documentos e um crime de branqueamento.

De acordo com a acusação de mais de 100 páginas, o arguido já confessou os crimes em interrogatório judicial.