Há uma petição para acabar com o sistema Volta. Estes são os argumentos dos subscritores

Com mais de 30 mil assinaturas, uma petição pública pede o fim do sistema de depósito e reembolso de embalagens "Volta". Os autores da iniciativa defendem que o atual modelo transfere custos para os consumidores, carece de transparência e deve ser substituído por um sistema que responsabilize efetivamente os produtores.
Há uma petição para acabar com o sistema Volta. Estes são os argumentos dos subscritores

Uma petição pública dirigida à Assembleia da República, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE) pede a suspensão imediata do sistema "Volta" e já reuniu mais de 30 mil subscrições.

Os promotores da iniciativa defendem que o modelo atualmente em vigor deve ser substituído por um sistema de gestão de embalagens mais transparente, justo e eficaz do ponto de vista ambiental, argumentando que o mecanismo acaba por colocar sobre os consumidores custos e responsabilidades que deveriam caber aos produtores.

Petição acusa sistema de transferir custos para consumidores

Na iniciativa, os autores argumentam que o sistema "Volta", apresentado como uma medida ambiental, acaba por colocar sobre os cidadãos parte dos encargos associados à gestão das embalagens.

Segundo a petição, os consumidores são obrigados a adiantar o valor do depósito, a armazenar as embalagens em casa, transportá-las até aos pontos de recolha e a assumir o risco de perder o reembolso caso o sistema não funcione corretamente.

Os subscritores consideram que este modelo representa uma "externalização encapotada de custos", beneficiando produtores e distribuidores à custa dos consumidores.

Devolução de embalagens e depósitos não reclamados geram críticas

Um dos principais argumentos apresentados na petição está relacionado com a percentagem de embalagens que deverão ser devolvidas.

Os autores afirmam que a SDR Portugal, entidade responsável pela gestão do sistema, prevê que apenas 40% das embalagens sejam entregues pelos consumidores.

Na perspetiva dos subscritores, esta previsão significa que uma parte significativa dos depósitos pagos nunca será recuperada, criando um mecanismo que pode beneficiar financeiramente a entidade gestora através dos valores não reclamados.

A petição defende que este modelo cria "um incentivo perverso" e levanta questões de justiça económica e transparência.

Consumidores contestam dificuldades no reembolso

Outro dos pontos levantados prende-se com o funcionamento das máquinas de recolha e com os critérios exigidos para aceitar as embalagens.

Os autores referem que as embalagens têm de estar intactas, apresentar o código de barras legível e manter uma forma reconhecível pelo equipamento.

Segundo a petição, existem situações em que as máquinas rejeitam embalagens sem uma explicação clara, sem que exista "um mecanismo simples e acessível de reclamação do depósito perdido".

Os subscritores defendem ainda que não existe uma alternativa eficaz quando uma embalagem é recusada, mesmo que a falha esteja relacionada com o próprio sistema.

Pedido inclui auditoria independente e novo modelo

Além da suspensão do sistema "Volta", a petição pede uma auditoria independente ao modelo financeiro, operacional e ambiental da SDR Portugal.

Os autores defendem a criação de uma alternativa baseada na responsabilidade efetiva dos produtores, transparência total e proteção dos consumidores.

Entre as soluções apontadas estão modelos como a recolha porta a porta, o reforço dos ecopontos inteligentes ou sistemas de responsabilidade alargada do produtor sem depósito obrigatório.

A iniciativa termina com o apelo a uma política ambiental que seja, segundo os subscritores, "séria, transparente e eficaz", garantindo que "nenhum depósito pago pelo consumidor pode ser apropriado pela entidade gestora".

Os responsáveis pela petição esclarecem ainda que a iniciativa "não está associada a qualquer Organização ou Partido Politico, é uma petição de cidadãos para cidadãos".