quinta-feira, 11 jun. 2026

Há cada vez menos consultas presenciais nos centros de saúde e os números estão a preocupar

Centros de saúde realizaram menos 767 mil consultas médicas presenciais num só ano. Regulador fala numa mudança profunda na forma como os cuidados estão a ser prestados.
Há cada vez menos consultas presenciais nos centros de saúde e os números estão a preocupar

Os centros de saúde em Portugal realizaram menos 767.413 consultas médicas presenciais no último ano, segundo um novo relatório da Entidade Reguladora da Saúde, que aponta para uma redução generalizada da atividade presencial em quase todo o país.

Os dados revelam que 35 das 39 Unidades Locais de Saúde registaram quedas no número de consultas presenciais, numa tendência que a ERS descreve como uma “reconfiguração da atividade”, marcada pelo aumento das consultas não presenciais e do acompanhamento ao domicílio.

Quais foram as regiões mais afetadas?

As maiores quebras aconteceram em:

  • Região de Aveiro, com menos 16,8%

  • Médio Ave, com menos 9,7%

  • São João, com menos 9,6%

Já algumas unidades contrariaram a tendência nacional.

As consultas presenciais aumentaram nas ULS de:

  • Entre Douro e Vouga

  • Nordeste

  • Baixo Mondego

  • Coimbra

Há zonas do país abaixo da média nacional

O relatório analisa também o número de consultas médicas por mil habitantes e identifica diferenças significativas entre regiões.

As unidades com atividade mais baixa foram:

  • Lisboa Ocidental

  • São José

  • Santa Maria

  • Loures-Odivelas

Todas ficaram abaixo da média nacional de consultas realizadas.

Em sentido inverso, as ULS do Alentejo Central, Castelo Branco e Alto Alentejo apresentaram os melhores indicadores do país.

Mais consultas à distância e em casa

A ERS explica que esta redução das consultas presenciais não significa necessariamente menos acompanhamento médico, apontando para um crescimento das consultas remotas e dos cuidados prestados no domicílio.

Ainda assim, os dados voltam a colocar o foco na pressão sentida pelos cuidados de saúde primários e no acesso dos utentes aos serviços presenciais.