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Portugal tem atualmente 85 pessoas detidas pelo crime de incêndio florestal, das quais 55 cumprem pena de prisão efetiva e 30 encontram-se em prisão preventiva, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).
A informação, enviada à agência Lusa, revela ainda que existem 21 inimputáveis internados em instituições psiquiátricas por factos relacionados com o crime de incêndio florestal.
Além disso, há 108 condenados com pena de prisão suspensa e seis pessoas em liberdade condicional por este tipo de crime.
Vinte pessoas estão sob vigilância eletrónica
A DGRSP adianta ainda que 20 pessoas estão atualmente sujeitas a vigilância eletrónica durante o período de maior risco de incêndio rural, correspondente aos meses de julho, agosto e setembro.
Deste total:
Sete são arguidos sujeitos à medida de coação de permanência na habitação;
13 são condenados com pena suspensa, obrigados a permanecer em casa durante o período de maior perigo de incêndio.
A possibilidade de impor esta medida foi introduzida na legislação em 2017, na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande e dos grandes fogos de outubro desse ano.
A lei permite que os tribunais determinem a obrigação de permanência na habitação com recurso a pulseira eletrónica durante os meses em que o risco de incêndio é mais elevado.
Os números mantêm-se praticamente inalterados face ao ano passado. Em 20 de agosto de 2025, também 20 pessoas estavam sujeitas a vigilância eletrónica durante o período crítico de incêndios.
Área ardida quase quadruplicou face a 2025
Os dados são divulgados numa altura em que Portugal enfrenta um agravamento significativo da atividade dos incêndios rurais.
Segundo os dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), desde o início do ano foram registados 4.592 incêndios rurais, que consumiram 30.155 hectares.
Só nos últimos cinco dias arderam mais de 15 mil hectares, o que significa que cerca de metade da área total queimada em 2026 foi consumida entre quarta-feira e domingo.
Face ao mesmo período de 2025:
A área ardida quase quadruplicou, atingindo o valor mais elevado desde 2017;
O número de incêndios aumentou cerca de 70%, sendo o mais elevado desde 2022.
Região Centro concentra maior área queimada
Segundo o SGIFR, a região Centro é a mais afetada pelos incêndios este ano, com 14.244 hectares ardidos.
Entre os incêndios com maior impacto encontra-se o fogo que deflagrou na madrugada de quinta-feira em Vouzela, no distrito de Viseu, e que apenas foi dado como dominado esta segunda-feira.
Na região Norte, a área ardida ascende já a 11.834 hectares.
Os dados mostram ainda que 56% da área queimada ocorreu em dias classificados como de risco elevado de incêndio, numa altura em que Portugal tem sido afetado por uma intensa onda de calor.
Governo mantém reforço das medidas de prevenção
Perante o agravamento do risco de incêndio, o Governo decretou na passada sexta-feira a situação de alerta, medida que vigora até às 23h59 desta segunda-feira.
Nos últimos dias, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou vários distritos sob aviso vermelho devido às temperaturas extremas, aumentando significativamente o perigo de ignições e propagação rápida de incêndios rurais.