sexta-feira, 15 mai. 2026

Guerra no Médio Oriente pode provocar escassez de dispositivos médicos em Portugal

A APORMED alerta para o risco de escassez de dispositivos médicos em Portugal, caso o conflito no Médio Oriente se prolongue, devido ao aumento dos custos de energia, matérias-primas e logística
Guerra no Médio Oriente pode provocar escassez de dispositivos médicos em Portugal

A APORMED alertou para o risco de escassez de dispositivos médicos em Portugal, caso a guerra no Médio Oriente se prolongue e não sejam adotadas medidas preventivas.

Em comunicado, divulgado esta sexta-feira o diretor executivo da associação, João Gonçalves, sublinhou que “existe o risco de escassez de alguns produtos”, apontando como principal causa a erosão das margens das empresas devido a custos externos, como a logística, as matérias-primas e a energia.

Segundo o responsável, o setor enfrenta dificuldades em repercutir estes aumentos nos preços finais, sobretudo no caso dos hospitais públicos, onde muitos contratos resultam de concursos com valores definidos antes do início do conflito.

Custos disparam até 40% nas matérias-primas

A associação destaca que os principais constrangimentos estão relacionados com o aumento acentuado dos custos da energia e dos transportes, bem como com a subida significativa — entre 15% e 40% — de matérias-primas essenciais. Entre estas estão o PVC, o polietileno, o polipropileno, o alumínio, o aço, o óxido de etileno e o hélio.

A APORMED recorda que o setor já vinha a ser penalizado antes mesmo da escalada no Médio Oriente, nomeadamente devido às tarifas aduaneiras impostas pelos EUA.

A situação poderá agravar-se com o Orçamento do Estado para 2026, que prevê um corte de 10,1% na despesa com aquisição de bens e serviços na área da saúde, o que poderá reduzir o investimento em dispositivos médicos.

De acordo com a agência Lusa, a associação alerta que “poupar neste setor pode significar redução da atividade hospitalar”, com impacto direto nas listas de espera para cirurgias e consultas.

Apesar de não existirem, para já, ruturas generalizadas, há “relatos de que alguns hospitais estão com dificuldades” na aquisição de consumíveis, como luvas de exame e equipamentos de proteção individual.

Hospitais já sentem impacto dos preços

Também a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) confirmou dificuldades no terreno. O seu presidente, Xavier Barreto, referiu que alguns hospitais enfrentam aumentos de preços de 30% a 50% em consumíveis essenciais desde o início do conflito.

Por sua vez, o Infarmed reconheceu impactos ao nível da logística e dos custos de energia e combustíveis, mas garantiu que não foram registadas ruturas de abastecimento até ao momento.