terça-feira, 21 jul. 2026

Greve nos registos arranca esta segunda-feira e pode afetar serviços durante toda a semana

Sindicato denuncia falta de trabalhadores e acusa o setor de estar à beira do colapso. Paralisação prolonga-se até 13 de junho, com serviços mínimos para situações urgentes.
Greve nos registos arranca esta segunda-feira e pode afetar serviços durante toda a semana

Os trabalhadores dos serviços de registos e notariado iniciam esta segunda-feira uma greve nacional de cinco dias, numa ação de protesto convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado (STRN), que denuncia a degradação do setor e a falta de respostas para problemas considerados estruturais.

A paralisação prolonga-se até sexta-feira, 13 de junho, e poderá afetar o funcionamento de conservatórias e outros serviços do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), embora estejam assegurados serviços mínimos para situações urgentes.

Sindicato fala em falta grave de recursos humanos

Entre as principais reivindicações está o reforço do número de profissionais nos serviços de registo.

Segundo o STRN, existem atualmente centenas de vagas por preencher, situação que considera estar a comprometer o funcionamento normal dos serviços em todo o país.

O sindicato defende um plano de recrutamento urgente de conservadores e oficiais de registo, além da eliminação de desigualdades salariais já identificadas pela Provedoria de Justiça.

A estrutura sindical acusa ainda o Governo de não apresentar soluções para problemas que se arrastam há vários anos e de deixar o setor numa situação que considera insustentável.

Governo rejeita críticas

Nos últimos dias, o STRN acusou também o Executivo de tentar influenciar a mobilização dos trabalhadores através da divulgação de informação relativa a um acordo celebrado com outras estruturas sindicais.

O Ministério da Justiça rejeitou essas acusações, sublinhando que o IRN apenas comunicou aos trabalhadores um acordo assinado há vários meses com seis dos oito sindicatos representativos do setor.

Segundo a tutela, o diploma que concretiza esse entendimento está em fase final de preparação.

O acordo prevê aumentos salariais com efeitos retroativos a julho de 2025.

Contratações já estão em curso

Em resposta às críticas relacionadas com a falta de pessoal, o Ministério da Justiça destaca que foram recrutados 165 conservadores e 605 oficiais de registo durante 2024 e 2025.

De acordo com a tutela, alguns destes profissionais já iniciaram funções e os restantes deverão começar a trabalhar ainda este ano.

Apesar disso, o sindicato mantém a contestação e considera que as medidas adotadas continuam longe de resolver os problemas existentes.

Serviços mínimos garantidos

Durante o período de greve estarão assegurados serviços mínimos para situações consideradas urgentes.

Entre os atos abrangidos encontram-se casamentos civis, testamentos em situações de iminência de morte e a emissão ou entrega de Cartão de Cidadão e passaporte em casos de prioridade extrema.

A paralisação surge numa semana marcada pelas comemorações do Dia de Portugal, altura em que tradicionalmente aumenta a procura por alguns destes serviços.