terça-feira, 21 jul. 2026

Greve dos professores afeta mais de 100 escolas do pré-escolar e 1.º ciclo

Professores exigem redução do horário letivo e melhores condições de trabalho
Greve dos professores afeta mais de 100 escolas do pré-escolar e 1.º ciclo

A greve dos professores do pré-escolar e do 1.º ciclo está a provocar constrangimentos em dezenas de escolas de todo o país. Mais de 100 estabelecimentos de ensino estavam esta segunda-feira encerrados ou com funcionamento condicionado devido à paralisação convocada por vários sindicatos.

Os dados recolhidos pela plataforma cívica da metaPROF indicavam, pelas 10h00, pelo menos 138 escolas fechadas ou condicionadas em 62 concelhos, na sequência da greve nacional dos docentes em regime de monodocência.

A informação está a ser reunida através do observatório online “Greve ao Minuto”, uma plataforma criada por professores para acompanhar o impacto do protesto.

Quantas escolas foram afetadas pela greve dos professores?

De acordo com os dados disponibilizados pela metaPROF, mais de 200 professores e funcionários escolares tinham comunicado, durante a manhã, informações sobre os efeitos da paralisação.

A plataforma registou um aumento rápido das participações ao longo da manhã. O dia começou com apenas oito registos, mas cerca de uma hora depois já ultrapassavam as duas centenas. Pelas 10h30, eram já mais de 300 as participações recebidas.

A maioria das escolas encerradas ou condicionadas situa-se no litoral, com destaque para a região de Lisboa.

Entre os estabelecimentos afetados estão a Escola Básica de Santa Iria da Azóia, em Loures, e a Escola Pedro Eanes Lobato, no Seixal. Também foram registados casos mais a norte, como a escola de Paião, na zona da Figueira da Foz.

Porque estão os professores do pré-escolar e 1.º ciclo em greve?

A paralisação foi convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P.), pelo Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU) e pelo Sindicato de Professores, de Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais (SINAPE).

Os docentes reivindicam a valorização da monodocência, defendendo uma redução do horário para 22 tempos letivos semanais, à semelhança do que acontece noutros níveis de ensino.

Entre as principais exigências estão também a redução da componente letiva em função da idade, a aplicação de reduções por desempenho de cargos e a transferência de responsabilidades assistenciais para outros profissionais das escolas.

Os professores pedem ainda que a idade de reforma seja reduzida para os 60 anos.

O que dizem os professores sobre o desgaste da profissão?

A greve surge num contexto de preocupação com as condições de trabalho dos docentes do pré-escolar e do 1.º ciclo.

Um inquérito realizado pelo Movimento de Professores em Monodocência (MPM) e pela plataforma metaPROF, com 7.072 respostas de professores de escolas públicas e agrupamentos com estes níveis de ensino, revelou que a maioria dos participantes considera existir um elevado desgaste na profissão.

Segundo os resultados divulgados, 86% dos docentes inquiridos consideram a monodocência uma profissão de desgaste rápido, enquanto 72% apontam a falta de recursos humanos nas escolas como um dos principais problemas.

O que reivindicam os professores?

Os docentes defendem que as condições de trabalho no pré-escolar e no 1.º ciclo devem aproximar-se das existentes noutros ciclos de ensino.

A principal reivindicação passa pela redução do número de tempos letivos semanais, mas os sindicatos defendem também mudanças relacionadas com a idade, cargos desempenhados e tarefas que consideram não dever estar atribuídas aos professores.

O objetivo, segundo os representantes dos docentes, é reduzir a sobrecarga associada ao modelo de monodocência e garantir melhores condições para professores e alunos.