quinta-feira, 16 abr. 2026

Greve dos enfermeiros com forte adesão encerra blocos operatórios e de partos em vários hospitais

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, lamentou a paralisação, sublinhando que o Governo está a trabalhar para responder a várias reivindicações da classe
Greve dos enfermeiros com forte adesão encerra blocos operatórios e de partos em vários hospitais

A greve nacional dos enfermeiros registou esta sexta-feira níveis elevados de adesão em várias unidades de saúde do país, levando ao encerramento de blocos operatórios e de partos, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

A paralisação, que decorre nos turnos da manhã e da tarde, foi convocada em protesto contra o alegado “protelamento” de decisões por parte do Ministério da Saúde, sobretudo no que diz respeito à progressão na carreira.

De acordo com o primeiro balanço do SEP, registaram-se adesões de 100% em vários hospitais e serviços. Na Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões, foram encerradas cirurgias de ambulatório nos hospitais de Viseu e Tondela, bem como a unidade de AVC, mantendo-se apenas os serviços mínimos.

A paralisação foi também total no bloco de partos do Hospital do Barreiro, nos blocos operatórios dos hospitais de Setúbal e do Hospital Garcia de Orta, em Almada e nos hospitais de Peniche e do Centro de Medicina de Reabilitação de Rovisco Pais.

Noutros hospitais, os níveis de adesão mantiveram-se igualmente elevados. Em Abrantes, aderiram 89% dos enfermeiros escalados, enquanto em Tomar a adesão foi de 76%. Já no Hospital Dona Estefânia e no Hospital de São José, em Lisboa, a greve atingiu cerca de 91%.

Também se registaram adesões significativas em Lagos (83%), Fundão (81,8%), Covilhã (68%), Castelo Branco (60,8%) e Faro (63%). Em Alcobaça e nas unidades de Aveiro e Águeda, os valores ficaram perto dos 50%.

Reivindicações centram-se na carreira e falta de profissionais

O SEP acusa o Ministério da Saúde de não cumprir o compromisso de rever a contabilização dos pontos para progressão na carreira até ao final de fevereiro, mantendo, segundo o sindicato, uma “discriminação dos enfermeiros relativamente a outros grupos profissionais”.

Entre as principais reivindicações estão:

  • Correção da contabilização de pontos e pagamento de retroativos

  • Contratação de mais enfermeiros

  • Contagem do tempo de serviço em vínculos precários

  • Acesso às categorias de enfermeiro especialista, gestor e cargos de direção

  • Revisão do sistema de avaliação de desempenho, sem quotas

O sindicato alerta que a atual situação pode comprometer a segurança de utentes e profissionais no Serviço Nacional de Saúde.

Governo lamenta greve, mas garante diálogo

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, lamentou a paralisação, sublinhando que o Governo está a trabalhar para responder a várias reivindicações da classe.

“É uma greve que respeitamos, mas lamentamos, porque estamos a trabalhar com os enfermeiros”, afirmou, destacando que existem negociações em curso há vários anos, incluindo matérias pendentes desde 2019.

A governante reconheceu que nem todas as exigências do SEP fazem parte do programa do Executivo, mas garantiu que o diálogo será mantido, alertando que a greve “também afeta os portugueses”.

A greve está a ter impacto direto no funcionamento de várias unidades do Serviço Nacional de Saúde, com cirurgias e partos adiados, embora os serviços mínimos estejam a ser assegurados.

O SEP insiste na necessidade urgente de reforçar o SNS, defendendo que a contratação de mais profissionais é “absolutamente obrigatória” para garantir a qualidade dos cuidados de saúde em Portugal.