sexta-feira, 07 ago. 2026

Governo trava proposta para licença parental de seis meses paga a 100%. Ministra diz que medida não é sustentável

Maria do Rosário Palma Ramalho considera que o alargamento da licença parental defendido por uma iniciativa de cidadãos tem mérito social, mas alerta para um custo que poderá rondar os 500 milhões de euros por ano e defende o modelo do Governo por promover uma maior partilha entre pais e mães.
Governo trava proposta para licença parental de seis meses paga a 100%. Ministra diz que medida não é sustentável

O Governo considera que a proposta para alargar a licença parental inicial para 180 dias com remuneração a 100%, independentemente da partilha entre os progenitores, não é financeiramente viável.

A posição foi defendida esta quarta-feira pela ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, durante uma audição parlamentar, onde reconheceu o mérito social da iniciativa de cidadãos, mas sublinhou que a medida teria um impacto demasiado elevado nas contas da Segurança Social.

"Não há neste momento sustentabilidade financeira para esta proposta", afirmou.

Governo apresenta alternativa mais barata

Segundo a ministra, o modelo previsto pelo Executivo no Orçamento do Estado para 2026 terá um custo anual entre 226 e 230 milhões de euros.

Já a proposta da iniciativa de cidadãos elevaria esse valor para entre 485 e 500 milhões de euros, representando um acréscimo de cerca de 275 milhões de euros.

Palma Ramalho defendeu que o Governo apenas dispõe de margem financeira para executar as medidas já previstas no orçamento.

Igualdade entre homens e mulheres divide soluções

Além da questão financeira, a governante sustentou que a principal diferença entre as duas propostas está na forma como incentivam a partilha da licença entre pai e mãe.

Segundo dados da Segurança Social apresentados pela ministra, as mulheres continuam a assumir a maior parte da licença parental, com uma média de 138,9 dias, enquanto os homens utilizam, em média, apenas 34,5 dias.

A ministra argumentou que este desequilíbrio continua a penalizar as mulheres no mercado de trabalho, refletindo-se nos salários, na progressão na carreira e no acesso a cargos de direção.

Por isso, defendeu que o pagamento da licença a 100% deve continuar dependente de uma partilha equilibrada dos últimos 60 dias entre ambos os progenitores, considerando esta solução uma forma de promover a igualdade de género.

Governo rejeita críticas sobre aleitamento

Durante a audição, Palma Ramalho respondeu também às críticas relacionadas com o direito ao aleitamento.

A ministra garantiu que o Governo nunca pretendeu limitar o período de amamentação, explicando que a proposta incidia apenas sobre o tempo durante o qual o empregador suporta a redução do horário de trabalho.

Segundo a governante, mesmo com as alterações propostas, Portugal continuaria a ter um dos regimes mais favoráveis da Europa.