quinta-feira, 16 abr. 2026

Governo admite rever contratos de associação após polémica em colégio: “Desigualdades ficam à vista”

Caso dos Salesianos de Manique expôs diferenças na alimentação escolar entre alunos com contratos de associação e privados, promovendo um debate sobre a igualdade no sistema educativo
Governo admite rever contratos de associação após polémica em colégio: “Desigualdades ficam à vista”

O ministro da Educação admite repensar a coexistência de ensino público financiado e oferta privada no mesmo colégio, após o caso dos Salesianos de Manique, onde alunos têm acessos diferentes à cantina.

O governante considera que a coexistência de contratos de associação e ensino privado na mesma escola pode expor desigualdades sociais. “Se calhar, o que é preciso refletir é se faz sentido termos os dois regimes na mesma escola”, afirmou esta terça-feira Fernando Alexandre.

O caso surgiu após notícias de que, no colégio de Manique, em Cascais, alunos do regime público e privado não têm acesso às mesmas refeições.

Diferenças nas refeições expõem desigualdade

Na escola, existem cerca de:

  • 770 alunos em regime privado, que pagam mensalidade

  • 797 alunos com contrato de associação, financiados pelo Estado

Enquanto os primeiros podem aceder a refeições mais variadas e caras, os segundos estão limitados ao valor máximo definido para a escola pública — atualmente 1,46 euros por almoço.

Segundo o ministro, citado pela agência Lusa, esta diferença evidencia um problema estrutural: “A convivência destes dois regimes no mesmo edifício põe a claro algo que já sabemos que existe.”

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Fernando Alexandre defende que, no regime financiado pelo Estado, as escolas devem cumprir regras da escola pública, incluindo o preço das refeições.

O objetivo, sublinha, é garantir que todas as crianças têm acesso a alimentação escolar em condições de igualdade.

Ainda assim, reconhece que a solução não é simples e admite que casos semelhantes possam existir noutros colégios.

Apesar da polémica, o ministro afasta mudanças imediatas ao modelo: “O regime funciona e não deve ser alterado por causa de um caso específico.”

No entanto, abre a porta a uma reflexão sobre se os dois modelos devem coexistir no mesmo espaço físico.

A direção dos Salesianos de Manique já manifestou disponibilidade para rever o modelo de refeições, caso o Ministério o permita.

Reforma do Ministério reduz funcionários em 50% e poupa 50 milhões por ano

Paralelamente, o ministro destacou a reforma em curso no Ministério da Educação, Ciência e Inovação, que passou de 18 para sete entidades.

A reorganização permitiu:

  • Redução de 50% no número de trabalhadores

  • Poupança anual de cerca de 50 milhões de euros

Segundo o governante, esta transformação resulta da digitalização de processos e uso crescente de tecnologia, incluindo inteligência artificial. “O objetivo não é poupar, mas tornar o sistema mais eficiente”, afirmou.

No âmbito da modernização, está também em desenvolvimento um sistema digital para identificar, com rigor, o número de alunos sem professor.

A ferramenta deverá estar concluída antes do próximo ano letivo e permitirá uma gestão mais eficaz dos recursos humanos.

Questionado sobre propostas para aliviar o impacto da falta de aulas nas notas, o ministro rejeitou alterações aos exames nacionais. “Se deixarem de ser iguais para todos, deixam de ser exames nacionais”, afirmou.

Debate sobre igualdade no ensino ganha força

O caso dos Salesianos relança o debate sobre equidade no sistema educativo, numa altura em que o Governo promove reformas estruturais e aposta na modernização.

A eventual revisão do modelo poderá marcar uma nova fase na organização do ensino em Portugal