Fundador do "Doutor Finanças" acusado de assédio moral e sexual. Está impedido de entrar nas instalações da empresa

A empresa emitiu duas notas de culpa com alegações das vítimas, que estão a ser contestadas pelo arguido. "Tudo do que estou a ser acusado não é verdade", garante.
Fundador do "Doutor Finanças" acusado de assédio moral e sexual. Está impedido de entrar nas instalações da empresa

Rui Pedro Bairrada, cofundador da empresa "Doutor Finanças", está na mira de um processo disciplinar após várias denúncias de assédio moral e sexual. Está impedido de entrar na empresa desde o início do ano.

Em causa estão alegados comportamentos quando ainda era CEO, sendo que em janeiro e março chegaram a ser emitidas duas notas de culpa, com as alegações das vítimas, que estão a ser contestadas pelo arguido.

De acordo com a notícia avançada pelo Observador, fonte oficial da empresa confirma que "foi desencadeado um processo disciplinar que tem como visado Rui Bairrada, cofundador, sócio minoritário e atual chairman da empresa”. O processo disciplinar teve início após queixas através de "meios internos", obrigando à suspensão de Rui Bairrada.

O processo disciplinar terá sido movido no último trimestre de 2025. No entanto, há queixas antigas, antes de janeiro de 2025, quando este ainda era CEO da empresa, além de mais recentes. As acusações mais antigas foram denunciadas de forma informal, tendo partido da administração encaminhá-las para os canais de direito. Teme-se que possam haver mais casos.

Por sua vez, o arguido garante estar de "consciência tranquila". “Tudo do que estou a ser acusado não é verdade, tenho provas disso e vou demonstrá-lo em sede própria. Não podia estar mais confiante do que estou", disse, citado pelo mesmo jornal. Além de se mostrar confiante da sua inocência, responsabiliza a atual direção da empresa por "um processo de instrumentalização". “O que está em curso é um processo de instrumentalização promovido por quem me quer pressionar e afastar da empresa que criei e ajudei a fazer crescer”, afirmou, citado pelo Observador. Ainda acusando a direção, enumera vários motivos pelos quais acredita que sejam os responsáveis, começando pelo timing do processo disciplinar.

"Em segundo lugar, porque a minha defesa já identificou irregularidades graves que vão da ausência das alegadas denúncias que o teriam desencadeado, até à destruição das gravações dos depoimentos e ao uso de transcrições deficientes. Em terceiro lugar, porque o surgimento deste processo coincide com o momento em que fracassaram conversações relativas à minha saída da gestão. Tudo isso, incluindo a fuga de informação sobre o processo para o vosso meio, no meu entendimento, mostra que não estamos perante um procedimento normal, mas perante um processo instrumentalizado para me afastar da empresa que criei e ajudei a fazer crescer", lamenta.

Quanto a estas acusações, a empresa Doutor Finanças mantém uma resposta firme. “O que podemos afirmar é que a empresa atuou assim que teve conhecimento de factos que exigiam avaliação e atuação, seguindo os mecanismos internos adequados e os princípios de integridade e responsabilidade que regem a organização", garantem.

"Nada disso é verdade e está tudo provado, em resposta à nota de culpa que eu recebi, que não corresponde à verdade", garantiu Rui Pedro Bairrada, afirmando ainda que consegue responder a todas as acusações que constam nas notas de culpa. “Nada do que está nessas alegações constitui crime de assédio, seja moral, seja sexual, seja o que for”, sublinha.

Em resposta ao jornal Observador, a empresa Doutor Finanças garante que a suspensão de Rui Pedro Bairrada não impede o bom funcionamento da empresa. “A gestão executiva [encontra-se] plenamente assegurada pela atual equipa de liderança, com foco na sua atividade, na estabilidade da organização e no compromisso com uma cultura de respeito, segurança e responsabilidade”, reiteram.

A Doutor Finanças é uma empresa portuguesa, fundada em 2012, especializada em consultoria e intermediação de crédito, com mais de 300 funcionários. Está também presente em Itália e Espanha, tendo um volume de negócios de cerca de 20 milhões de euros.