A nova administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), nomeada há pouco mais de três meses pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, está a ser contestada em surdina por dirigentes distritais do PSD, sobretudo indignados com a escolha Carlos Andrade Costa, que agora preside ao SUCH.
No dizer destes dirigentes, vários motivos justificariam que Andrade Costa não tivesse recebido a chancela do Governo PSD-CDS. Alegam que tem tido um percurso próximo do PS e lembram a sua contestada passagem pela administração da Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, que abrange o Hospital de Vila Franca de Xira e Centros de Saúde dos concelhos vizinhos, aonde chegou em 2021 pela mão da ministra Marta Temido.
As mesmas vozes acrescentam que as ligações de Andrade Costa à maçonaria, a que também pertence ou pertenceu a ministra Ana Paula Martins, através da Grande Loja Feminina de Portugal, desaconselhavam a nomeação.
Contactado pelo SOL, Andrade Costa, formado em Direito e em Economia e Gestão, e que está na carreira de administrador hospitalar desde inícios da década de 90, começou por dizer que aceita críticas porque não procura ser unânime. «Procuro servir o Estado», resumiu.
Sobre ligações partidárias, respondeu: «Não fui nomeado, em qualquer ocasião, por outra razão que não seja a minha competência. Dei sempre o meu melhor nas minhas funções. Nunca foi um cartão de partido que me abriu a porta».
Destacou que a sua proximidade à maçonaria faz parte do passado e afirmou que neste particular não há «nada a esconder». «Fui maçon, com orgulho, mas como o exercício sério dessa opção de vida se faz com dedicação, e a vida não me permitiu continuar a ter tempo, deixei de ter qualquer ligação à maçonaria há mais de dez anos», esclareceu Andrade Costa, sem precisar a que obediência esteve ligado.
Ainda sobre o tema da maçonaria, questionado sobre se daí colheu benefícios para chegar à presidência do SUCH - depois de em novembro último ter sido afastado pelo Ministério da Saúde da administração da Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, quando se acumulavam protestos de comissões de utentes, autarcas e profissionais de saúde da região -, o visado considerou que «a pertença à maçonaria não foi havida nem achada» no seu percurso profissional. «Em lugar de seguir apenas pistas de intriguistas e descontentes com a vida, basta ver com quem trabalhei, para perceber que muitos dos que em mim acreditaram nunca foram maçons».
Além de Andrade Costa, o Ministério da Saúde em conjunto com o das Finanças nomeou em janeiro último para o SUCH as vogais Cristina Pratas, próxima do antigo ministro da Saúde Manuel Pizarro, e Raquel Nair, alinhada com o círculo do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.
Fonte conhecedora do caso reconheceu que nomeações como estas costumam ter em conta cumplicidades pessoais ou cartões partidários, e não necessariamente a competência. Mas contrapôs que há dificuldades de recrutamento por causa dos salários, considerados baixos face às responsabilidades, com alguns dirigentes como Andrade Costa a auferirem pouco mais de três mil euros líquidos por mês.
O gabinete da ministra da Saúde não quis fazer comentários.