Força Aérea aguarda informação para abrir inquérito disciplinar a militar detido em operação contra grupo neonazi

De acordo com a PJ, os 37 detidos, com idades entre os 30 e os 54 anos, têm “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”. No âmbito da operação foram ainda constituídos arguidos outros 15 suspeitos e realizadas 65 buscas
Força Aérea aguarda informação para abrir inquérito disciplinar a militar detido em operação contra grupo neonazi

A Força Aérea Portuguesa (FAP) informou esta quarta-feira que aguarda informação concreta das autoridades judiciais para instaurar um inquérito disciplinar ao militar detido pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito da megaoperação que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi e que resultou em 37 detenções.

A FAP refere que está “a acompanhar o evoluir do inquérito” e que aguarda “conhecimento concreto dos factos que permitam, como é procedimento habitual, instaurar o competente processo disciplinar ao militar”, sem prejuízo da colaboração com as autoridades judiciais.

Um militar da Força Aérea e um elemento da PSP estão entre os 37 detidos na operação da PJ, denominada “Irmandade”, que teve como objetivo o desmantelamento de um grupo extremista de inspiração neonazi, identificado como movimento 1143, ligado a Mário Machado.

Na terça-feira, a PSP confirmou em comunicado que o polícia detido pertence ao Comando Distrital de Setúbal, adiantando que aguarda a indicação dos crimes de que o suspeito está indiciado para desenvolver “os procedimentos disciplinares adequados e preventivos”.

Fonte ligada à investigação esclareceu então à agência Lusa que um dos dois detidos não civis era militar, sem especificar o ramo das Forças Armadas, informação que foi hoje confirmada pela Força Aérea.

De acordo com a PJ, os 37 detidos, com idades entre os 30 e os 54 anos, têm “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”. No âmbito da operação foram ainda constituídos arguidos outros 15 suspeitos e realizadas 65 buscas.

Segundo a investigação, os detidos “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e à extrema-direita radical e violenta”, atuando por motivações racistas e xenófobas, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, nomeadamente imigrantes.

A organização, descrita como tendo estrutura hierárquica e distribuição de funções, é suspeita da prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificadas e detenção de arma proibida.

O grupo, identificado pela PJ como 1143, terá como líder Mário Machado, conhecido militante neonazi que se encontra atualmente a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que, segundo a investigação, continuaria a dar instruções a partir do estabelecimento prisional.