Fingiu ser filho de ex-ministro e envolveu "namoradas" no crime. Jovem acusado de espionagem criava narrativas fictícias

O jovem de 19 anos criava uma imagem de estatuto social elevado perante duas jovens "com quem manteve relações próximas".
Fingiu ser filho de ex-ministro e envolveu "namoradas" no crime. Jovem acusado de espionagem criava narrativas fictícias

Miguel Rodrigues, o jovem acusado pelo Ministério Público de crimes de violação do segredo de Estado e espionagem na forma tentada, não terá enganado apenas as autoridades. Segundo o despacho de acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), o jovem terá construído uma narrativa fictícia junto de duas jovens com quem manteve relações próximas, apresentando-se como filho do ex-ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues.

De acordo com os testemunhos recolhidos na investigação e citados pelo Correio da Manhã, o jovem dizia viver na exclusiva Quinta do Peru Golf & Country Club, na Amora, para reforçar uma imagem de estatuto social elevado.

Uma das jovens terá acabado envolvida, sem plena consciência do crime, no furto de computadores pertencentes a um militar da NATO, alojado num hotel na Costa da Caparica, em fevereiro de 2025. Após a recolha dos equipamentos, o arguido pediu-lhe que os guardasse. À mesma testemunha, Miguel Rodrigues terá afirmado que a obtenção de informação militar era a sua fonte de rendimento.

Segundo o relato prestado ao Ministério Público, o arguido acreditava que os computadores continham “informações relacionadas com umas armas novas, informações militares classificadas”. A jovem afirmou ainda tê-lo visto a contar mil euros em numerário e garantiu que este lhe dizia receber cerca de 10 mil euros quinzenais.

Face à vulnerabilidade das testemunhas e à sua idade, o Ministério Público solicitou que ambas prestem depoimento em julgamento sem a presença do arguido.

Além dos crimes de espionagem e violação do segredo de Estado na forma tentada, Miguel Rodrigues responde ainda por denúncia caluniosa, furto qualificado, falsas declarações e condução sem habilitação legal. O Ministério Público sustenta que o arguido terá imputado factos criminosos a terceiros, incluindo a um inspetor da Polícia Judiciária, o que fundamenta 11 acusações por denúncia caluniosa.