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Filipe Froes e Miguel Guimarães, a propósito das notícias veiculadas pelo SOL nas suas últimas edições, designadamente a da última edição com o título Pediatras também alertaram mas foram censurados, enviaram-nos o seguinte esclarecimento:
«Na população em geral, estima-se que a incidência de miocardite seja de até 9 casos por 100.000 habitantes. Com a infeção por covid-19, a incidência aumentou para 150 casos por 100.000 habitantes. A miocardite associada às vacinas de tecnologia RNA mensageiro apresentou valores mais elevados com a vacina do fabricante Moderna (mRNA-1273), em jovens do sexo masculino com menos de 30 anos e nos 7 dias após a segunda dose do esquema vacinal primário. Nessas circunstâncias, atingiu até 54 casos por 100.000 habitantes, valor três vezes inferior ao observado após a infeção.
«Com base nestes dados, o Gabinete de Crise para a covid-19 da Ordem dos Médicos questionou a posição do presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria, contrária à vacinação e favorável à ‘imunidade provocada pela infeção’. Essa opinião pessoal não vinculava o universo do Colégio de Pediatria. De resto, a Direção do Colégio de Pediatria participou na decisão oficial da Direção-Geral da Saúde de vacinar os grupos pediátricos, decisão igualmente defendida pelos cardiologistas pediátricos e pela Sociedade Portuguesa de Pediatria.
«De salientar que esta vacina foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos para utilização a partir dos 6 meses de idade, sem restrições etárias, e que a tecnologia de RNA mensageiro utilizada nas vacinas contra a covid-19 foi distinguida com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 2023.
«Nos EUA, a vacinação teve recomendação universal para todas as pessoas com 6 ou mais meses de idade até à entrada em funções da Administração Trump, em 2024. Atualmente, a Academia Americana de Pediatria mantém a recomendação de vacinação universal dos 6 aos 23 meses e dos 2 aos 18 anos com fatores de risco, bem como de todas as crianças e adolescentes cujos responsáveis optem pela vacinação.
«Perante os dados iniciais, posteriormente confirmados, importa questionar se aqueles que se manifestaram contra a vacinação em idade pediátrica durante a pandemia mantêm hoje a mesma posição. O tempo veio consolidar a utilidade, a segurança e a relevância da vacinação na proteção das pessoas e no controlo da pandemia, com milhões de vidas salvas».
Filipe Froes
Ex-coordenador do Gabinete de Crise para a covid-19
Miguel Guimarães
Ex-bastonário da Ordem dos Médicos