segunda-feira, 13 abr. 2026

Febre aftosa agrava-se na Europa: novos focos preocupam autoridades

Não existe tratamento específico para a doença e a vacinação é proibida na União Europeia, exceto em situações de emergência
Febre aftosa agrava-se na Europa: novos focos preocupam autoridades

A febre aftosa (FA), doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, ovinos, caprinos e suínos, registou uma escalada na Europa, com novos focos confirmados na Grécia e no Chipre. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) apelou ao reforço imediato das medidas preventivas para conter a propagação do vírus.

A 15 de março foi detetado um foco de FA na ilha de Lesvos, na Grécia, numa exploração de bovinos e ovinos com 288 animais. Trata-se da primeira ocorrência na ilha desde 1994. Foram aplicadas medidas de controlo rigorosas, incluindo o abate dos animais infetados.

Na República do Chipre, a doença foi confirmada na região de Larnaca, com 42 focos registados até ao momento. As autoridades implementaram vacinação de emergência e reforçaram medidas de biossegurança nas explorações.

O vírus da febre aftosa circula na Turquia, país com fronteira direta com a União Europeia, representando um fator adicional de risco para os Estados-membros. Desde 2025, focos da doença foram reportados em países como Irão, Iraque, Líbano, além de diversas regiões de África, Médio Oriente e Ásia.

Reforço das medidas preventivas

A DGAV sublinha que produtores, veterinários, transportadores, industriais e comerciantes devem intensificar medidas preventivas, incluindo:

  • Limpeza e desinfeção rigorosa de veículos e navios que transportem animais;

  • Proibição da alimentação com lavaduras e restos de cozinha;

  • Destruição de subprodutos de animais;

  • Evitar que restos de comida fiquem acessíveis a javalis;

  • Comunicação imediata de qualquer suspeita ou ocorrência de FA à DGAV.

Sintomas e consequências

A febre aftosa pode provocar nos animais:

  • Diminuição da produção de leite;

  • Falta de apetite e abortos;

  • Morte súbita;

  • Vesículas (bolhas) na língua, gengivas, bochechas, lábios, tetas e narinas;

  • Estrias cinzentas ou amarelas no coração.

Não existe tratamento específico para a doença e a vacinação é proibida na União Europeia, exceto em situações de emergência.

A DGAV alerta para a necessidade de vigilância reforçada, sublinhando que a contenção da doença depende da cooperação de todos os agentes da cadeia pecuária e do cumprimento rigoroso das normas de biossegurança.