sexta-feira, 15 mai. 2026

FBI revela motivação do português que matou Nuno Loureiro e que levou a cabo ataque na Universidade de Brown

Relatório aponta planeamento prolongado e ataques com significado pessoal. Autor visou instituições ligadas ao seu passado académico.
FBI revela motivação do português que matou Nuno Loureiro e que levou a cabo ataque na Universidade de Brown

As autoridades norte-americanas traçaram um retrato inquietante do português responsável por um tiroteio na Brown University e pelo homicídio de um professor do Massachusetts Institute of Technology, apontando motivações profundamente pessoais e não aleatórias.

Segundo o FBI, Cláudio Neves Valente, de 48 anos, terá escolhido alvos que simbolizavam frustração, falhanço e ressentimento acumulado ao longo de anos. O relatório divulgado indica que o atacante planeou os crimes de forma isolada e prolongada, tendo agido com base numa narrativa interna marcada por sentimentos de inadequação.

O primeiro ataque ocorreu a 13 de dezembro, quando matou dois estudantes e feriu nove pessoas num edifício de engenharia da Brown University. Dias depois, assassinou o físico português Nuno Loureiro na sua residência, em Brookline, no estado de Massachusetts.

De acordo com os investigadores, os atos de violência tiveram um caráter simbólico. A universidade onde tinha estudado e o professor que viria a matar representavam, na perceção do próprio, oportunidades falhadas e injustiças pessoais. “Ao atacá-los, provavelmente conseguiu superar a sua vergonha e inveja, usando a violência para punir aquelas comunidades que entendia terem contribuído para a sua queda”, refere o relatório.

O suspeito foi posteriormente encontrado morto, com um ferimento de bala autoinfligido, num armazém em New Hampshire, colocando fim a uma perseguição que envolveu vários estados.

O documento descreve ainda um percurso de isolamento crescente. Sem uma rede de apoio estável, Cláudio Neves Valente terá desenvolvido ao longo dos anos uma visão distorcida do seu percurso, marcada por frustração e ressentimento. “Parecia ter dificuldade em lidar com a forma como via as suas próprias conquistas”, indicam os investigadores, apontando para um agravamento progressivo do seu estado psicológico.

Após os ataques, o autor gravou vídeos e mensagens de áudio onde confessava os crimes, sem demonstrar arrependimento, embora também não tenha deixado uma explicação totalmente clara para os seus atos.

O FBI sublinha que o homem agiu sozinho e que não há indícios de ligação ao terrorismo. As armas utilizadas tinham sido adquiridas legalmente anos antes, no estado da Florida.

Entretanto, o caso ganhou novos contornos judiciais. Vítimas do ataque apresentaram uma ação em tribunal contra a universidade, alegando falhas na segurança e desvalorização de sinais de alerta que poderiam ter evitado a tragédia.

Além da ligação à Brown University, Cláudio Neves Valente estudou no Instituto Superior Técnico, onde coincidiu com Nuno Loureiro, reforçando a ligação entre agressor e vítima.

Apesar das conclusões agora conhecidas, as autoridades admitem que as motivações completas poderão nunca ser totalmente esclarecidas, deixando em aberto as causas profundas de um dos casos mais perturbadores envolvendo um cidadão português no estrangeiro.