quinta-feira, 14 mai. 2026

Farmácias de Lisboa passam a fazer testes gratuitos ao VIH e hepatites para travar diagnósticos tardios

Mais de 50 farmácias na Área Metropolitana de Lisboa começam a disponibilizar rastreios rápidos e gratuitos ao VIH e hepatites, numa campanha que decorre até 2027
Farmácias de Lisboa passam a fazer testes gratuitos ao VIH e hepatites para travar diagnósticos tardios

Mais de 50 farmácias comunitárias da Área Metropolitana de Lisboa vão disponibilizar testes rápidos e gratuitos ao VIH, hepatite B e hepatite C. O objetivo da iniciativa é reduzir o número de diagnósticos tardios em Portugal.

O projeto é promovido pela Plataforma Saúde em Diálogo e pelo Programa FOCUS, em parceria com a Associação Nacional das Farmácias (ANF), e está a ser implementado em farmácias dos municípios da Amadora, Sintra, Odivelas e Loures.

Nesta fase inicial, participam 58 farmácias aderentes cujas equipas receberam formação específica para a realização dos rastreios.

A campanha, denominada “Saiba de si”, destina-se a todas as pessoas com mais de 18 anos, sendo a participação voluntária, confidencial e podendo ser feita de forma anónima.

Segundo os promotores, o objetivo é reforçar a deteção precoce de infeções que continuam a apresentar valores acima da média europeia em Portugal, sobretudo no que diz respeito ao VIH e às hepatites virais.

De acordo com a agência Lusa, em caso de resultado positivo, os utentes são encaminhados com apoio de associações de base comunitária, que asseguram a ligação ao Serviço Nacional de Saúde e o acesso a confirmação diagnóstica e tratamento atempado.

“O envolvimento das farmácias é fundamental pela relação de proximidade e confiança com a comunidade”, destacou o presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, Jaime Melancia, sublinhando que este fator pode ajudar a ultrapassar o estigma associado a estas infeções.

Também José Luis González, diretor internacional do Programa FOCUS em Portugal e Espanha, reforçou a importância do projeto no combate ao VIH e às hepatites virais como ameaça de saúde pública.

Por sua vez, a presidente da ANF, Ema Paulino, destacou o papel das farmácias na promoção da saúde pública, sublinhando que a sua proximidade às populações permite chegar a mais pessoas e facilitar o acesso a rastreios.

Os dados mais recentes indicam que, entre 1983 e 2024, foram diagnosticados mais de 66 mil casos de infeção por VIH em Portugal, dos quais cerca de 24 mil evoluíram para SIDA.

Apesar da redução dos novos diagnósticos na última década, o país continua a registar níveis acima da média europeia, com especial preocupação para os casos detetados tardiamente.

A campanha “Saiba de si” terá continuidade até março de 2027, com o objetivo de reforçar a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso atempado a cuidados de saúde.