segunda-feira, 09 mar. 2026

Falta de professores afetou mais de 158 mil alunos em janeiro

O problema da escassez de professores não se limita à escola pública, atingindo também o ensino privado e o setor social, onde as condições de trabalho são frequentemente piores
Falta de professores afetou mais de 158 mil alunos em janeiro

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou esta terça-feira para um agravamento da falta de docentes nas escolas, estimando que mais de 158 mil alunos tenham ficado sem aulas em janeiro, um aumento de 28,4% face ao mesmo mês do ano passado.

“Comparámos o que se passa nas escolas agora com a realidade vivida há um ano e verificámos que aumentaram o número de horários e de horas a concurso em contratação de escola, assim como há mais alunos afetados”, disse José Feliciano Costa, um dos secretários-gerais da Fenprof.

Mais horários e mais horas sem professores

Quando a reserva de recrutamento nacional se esgota, os diretores recorrem à contratação de escola. Em janeiro, segundo dados da Fenprof, o número de horários colocados a concurso aumentou 38,3%, passando de 1.557 em janeiro de 2025 para 2.153 este ano.

Também o número de horas a concurso registou uma subida significativa, quase 40%, passando de cerca de 28 mil para quase 40 mil horas.

Com base nestes dados, a Fenprof estima que 158.130 alunos tenham sido afetados pela falta de professores no mês passado, mais cerca de 35 mil do que em janeiro de 2025, quando o número rondava os 123 mil estudantes.

Governo acusado de adiar soluções estruturais

Para a Fenprof, o agravamento da situação resulta da ausência de medidas estruturais, nomeadamente da falta de um novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) que torne a profissão mais atrativa.

José Feliciano Costa, citado pela agência Lusa, sublinhou que o problema da escassez de professores não se limita à escola pública, atingindo também o ensino privado e o setor social, onde as condições de trabalho são frequentemente piores.

“Salários mais baixos, carreiras mais longas, horários sobrecarregados e vínculos precários têm levado muitos docentes a abandonar a profissão ou a procurar colocação na escola pública”, alertou, apontando para um impacto direto na instabilidade pedagógica e na dificuldade de contratar professores qualificados.

Fenprof lança caravana nacional

Para dar visibilidade ao problema, a Fenprof vai percorrer o país numa caravana nacional, entre 19 de fevereiro e 4 de março, sob o lema “Somos professores, damos rosto ao futuro”.

A iniciativa arranca a 19 de fevereiro no Porto e termina em Lisboa, a 4 de março, com uma concentração marcada para as 15h00 no Largo do Camões.

Durante dez dias, a caravana passará pelos 18 distritos do continente, pelas nove ilhas dos Açores e por oito concelhos da Madeira, com o objetivo de identificar problemas locais concretos, envolver comunidades educativas e exigir soluções para a falta de professores, o envelhecimento da profissão e a degradação das condições de trabalho docente.

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