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Cerca de 170 alunos do ensino secundário ainda não conheciam, no domingo à noite, a nota da primeira fase dos exames nacionais, revelou esta segunda-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. O governante garantiu que os casos pendentes deverão ficar resolvidos entre esta segunda e terça-feira.
No total, foram realizados cerca de 290 mil exames nacionais, tendo sido registados 825 pedidos relacionados com alegadas desconformidades. Segundo Fernando Alexandre, cada um dos casos já foi analisado e foi identificada a origem do problema, sendo que em algumas situações não foi confirmada qualquer desconformidade.
"Não estou a desvalorizar, mas estamos a falar de 825 em 290 mil", afirmou o ministro, durante uma deslocação à Figueira da Foz, onde inaugurou o edifício 2 do campus da Universidade de Coimbra.
Nos casos em que foram efetivamente detetadas falhas, o Ministério da Educação está a proceder às correções necessárias. "Existem muito poucos casos por corrigir, que entre hoje e amanhã [terça-feira] devem ficar resolvidos", garantiu o governante, citado pela agência Lusa.
Pedidos de reapreciação mais do que duplicam
Até ao momento, foram apresentados cerca de 15 mil pedidos de reapreciação de provas, mais do dobro dos 6.200 registados durante a primeira fase dos exames nacionais do ano passado.
Fernando Alexandre considera que o aumento está relacionado com a alteração do modelo de avaliação, que este ano envolveu diferentes professores na classificação das respostas de cada exame.
Segundo o ministro, este sistema originou um número significativo de classificações entre os 9 e os 9,4 valores, numa escala de 0 a 20, ficando os alunos muito próximos da nota mínima de aprovação, fixada nos 9,5 valores.
Há cerca de 2.400 provas com uma classificação de 9,4 valores, situação que, segundo o governante, torna compreensível que os estudantes solicitem a reapreciação. "De facto, falta uma décima para terem aprovação", afirmou.
No conjunto das cerca de 290 mil provas realizadas, existem aproximadamente 20 mil classificações que terminam nas quatro décimas anteriores à nota de aprovação, o que deverá contribuir para o aumento do número de pedidos.
"O sistema tem os mecanismos para fazer essa verificação, que é precisamente através da reapreciação e, por isso, não é surpreendente que este ano, com este sistema, tenhamos mais reapreciações", explicou Fernando Alexandre.
O número de pedidos ainda poderá aumentar, uma vez que continua a decorrer o prazo para a reapreciação das provas de alunos que receberam as respetivas classificações mais tarde.
Alunos têm 48 horas para pedir reapreciação
Depois de receberem a nota, os estudantes dispõem de 48 horas para solicitar a reapreciação da prova, de forma a poderem manter a possibilidade de candidatura ao ensino superior na primeira fase.
O atraso na divulgação das classificações está relacionado com a implementação, pela primeira vez, da avaliação digital de quase 300 mil exames nacionais do ensino secundário. O processo foi afetado por várias falhas técnicas, levando o Ministério da Educação a adiar a divulgação dos resultados.
A tutela tinha previsto a publicação dos resultados da primeira fase para 17 de julho, mas as classificações só foram afixadas nas escolas durante a noite, tendo alguns alunos esperado mais dias para conhecer as notas.
Os atrasos tiveram também impacto no calendário da segunda fase dos exames nacionais, que decorreu entre 21 e 24 de julho.
Apesar dos constrangimentos, o Ministério da Educação manteve o calendário da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, cujo prazo termina a 6 de agosto.
Foi ainda criada uma época especial de exames, que decorrerá entre 3 e 8 de setembro.
O ministro da Educação tem reconhecido os problemas registados durante o processo de avaliação digital, mas garante que serão tomadas as medidas necessárias para assegurar que nenhum aluno seja prejudicado pelos atrasos ou pelas falhas verificadas.