O ex-deputado do Chega Miguel Arruda foi acusado pelo Ministério Público (MP) de 21 crimes de furto qualificado, por alegadamente ter subtraído malas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025.
De acordo com a acusação, a mulher de Miguel Arruda foi igualmente acusada de um crime de recetação, por alegadamente ter beneficiado de roupa e outros bens que sabia terem sido furtados pelo marido.
Miguel Arruda, de 41 anos, foi eleito deputado à Assembleia da República pelo Chega nas eleições legislativas de março de 2024. Passou a deputado independente após ter sido constituído arguido em janeiro de 2025 e, quando o processo se tornou público, negou a prática dos crimes.
Dos 21 crimes de furto qualificado imputados pelo MP, 20 são na forma consumada e um na forma tentada.
Segundo a acusação, o antigo deputado eleito pelo círculo dos Açores terá aproveitado as viagens semanais entre Ponta Delgada, onde residia, e Lisboa, onde exercia funções parlamentares, para atuar em períodos de menor afluência no aeroporto. Em pelo menos oito dias distintos, terá retirado mais de uma dezena de malas pertencentes a outros passageiros dos tapetes de recolha de bagagem, tanto do seu voo como de outros.
Em pelo menos três ocasiões adicionais, terá percorrido a zona de recolha de bagagens à procura de malas sem vigilância, mas sem sucesso, refere o MP.
O esquema terminou a 21 de janeiro de 2025, quando Miguel Arruda foi intercetado pela PSP no aeroporto, não conseguindo, como era habitual, abandonar o local em transporte TVDE com destino à sua residência ou à Assembleia da República.
O valor global dos bens alegadamente furtados não foi, na maioria dos casos, apurado. No entanto, duas das malas continham roupa, calçado e bolsas de marcas de luxo, avaliadas em cerca de 12 mil euros.
De acordo com o MP, alguns dos artigos terão sido oferecidos à mulher do então deputado, enquanto outros foram colocados à venda na plataforma digital Vinted, incluindo anúncios associados à morada da Assembleia da República, em Lisboa.
No gabinete de Miguel Arruda no parlamento, a PSP apreendeu, a 27 de janeiro de 2025, seis malas de viagem e uma mochila que aparentavam pertencer a terceiros.
Nas residências do casal, em Ponta Delgada e em Lisboa, foram ainda encontrados quase 30 artigos pertencentes a desconhecidos, incluindo um computador portátil.
Miguel Arruda e a mulher encontram-se em liberdade, sujeitos a termo de identidade e residência. O ex-deputado não integra a atual legislatura